QUANDO A GENTE TEM SAUDADE

Quando a Gente tem Saudade




Autora: Vana, Nic e Inês
Ilustração: Inês

Quando a gente tem saudade:
As horas parecem lesmas que sobem devagarinho aquela montanha.
O tempo parece mole e derrete como um sorvete ao sol.
A saudade deixa tudo tão longe que nem o binóculo ajuda.
O coração fica mais vazio.
Cabe até um elefante dentro dele, um trator, um disso voador ou um helicóptero.
Se a saudade fosse alguma coisa, com certeza, seria pontuda porque ela cutuca a gente sem parar.
Um amigo transporta alegrias e também tristezas, mas quando o amigo se vai embora logo aparece a saudade.
A saudade vive numa casa especial.
Uma casa como a do caracol que pesa às costas.
A saudade são como pequenas nuvens, assim que se desenham, desaparecem.
Por vezes, temos saudades de um minuto, outras vezes temos saudades de uma vida inteira.
Há saudades para lembrar e há saudades para esquecer.
É preciso evitar algumas saudades.
Se procurares dentro de ti, tens uma saudade.
E se procurares outra vez, tens mais duas ou três.
A saudade não tem medo do escuro.
Às vezes aparece á noite assim que vamos deitar.

(...)

Envie uma carta há alguém de quem tenhas saudades.



Uma carta não sei ... Eu diria, uma mensagem, um oi, uma figurinha, um "estou pensando em você" o que importa  é que os fins justificam os meios...  rsrs  

Uma leitura que nos faz refletir um pouquinho sobre a vida , mesmo que não colocada na ´integra, por cus dos Direitos Autorais.


O Tempo e o Espaço na Modernidade Líquida



O Tempo e o Espaço na Modernidade Líquida



O estar junto na visão política não é o ideal.



O fragmentar sim é o ideal.





De acordo a Zygmund Balman, o meio urbano é civil, um espaço de troca, porém se falta hospitalidade não possibilitará ao indivíduo ficar a vontade e faz com que sua passagem por ali, e por muitos outros locais seja rápida, sem muita afinidade, sem a possibilidade de criar vínculos, de se enraizar. 

Destituídos de poder e direitos.  

Aparentemente de todos e para todos, assim são inúmeros locais, museus, ruas, praças, órgão públicos, hospitais, porém com autocontrole e domínio privado – fazendo com que o indivíduo, a sociedade cuide, zele e acredite ser seu. È de todos, é pra todos, mas tem domínio, controle. Um bem comum que não pode ser reduzido ao agregado, passivo de propósitos individuais, compartilhado, sem ser exaurido de iniciativas individuais.

Há também o espaço público não civil, porém compartilhado,  destinado a servir os consumidores, são eles os teatros, áreas de esportes, salas, shoppings, pontos/locais turísticos onde o foco é a ação, e há uma quantidade de indivíduos que passam por ali, individualmente envolvidos. Sendo a tarefa o consumo e o consumo é um passatempo absoluto e exclusivamente individual. Uma série de sensações  que só podem ser experimentadas e vividas, subjetivamente – agregadas, breves e superficiais – o templo do consumo bem supervisionado, vigiado e controlado.  

O equilíbrio quase perfeito de liberdade e segurança.

O sentimento reconfortante de pertencer, de fazer parte dessa comunidade – essa comunidade não envolve negociações, nem esforço pela empatia, compreensão e concessões – diferentemente de uma realidade – do que presenciamos no nosso dia a dia, junto àqueles que fazem parte do nosso espaço, do nosso convívio  - família, amigos, vizinhos, comunidade, sociedade.

Bauman cita Levi Strauss que afirma que a sociedade divide-se em antropoêmica e antropofágica, a primeira ao aniquilamento, ao exílio, ao estar só consigo mesmo, à impedir o diálogo, o contato físico, a interação social, alheio ao outro . Já a segunda escolha se dá pela suspensão ou aniquilação de sua identidade, de se colocar no lugar do outro não é por acaso que o medo do estranho, do estrangeiro cresceu, a medida que essas pessoas ou comunidade foram se afastando “não converse com estranhos “ ou “esteja sempre por perto”  são ditos populares fruto dessa visão, com isso perdeu-se  o direito a troca, a sociedade ganhou camêras de vigilância instaladas  por toda parte e o medo acentuou-se na sociedade, perdendo o direito a interação, deixando de criar vínculos – de ter a capacidade de interagir com o outro – sendo isto uma “arte” que requer estudo e exercício.

A incapacidade de enfrentar a pluralidade de seres humanos e a ambivalência de todas as decisões classificatórias, ao contrário, se auto perpetuam e reforçam, quanto mais perspicazes, mais eficazes à tendência a humanidade e o esforço para eliminarem as diferenças, tanto mais difícil sentir-se a vontade em presença de estranhos, tanto mais ameaçadora a diferença, tanto mais interesse a ansiedade que ela gera, tanto mais estudos, exercícios e esforços.

Tanto mais se descobre a relação causa e efeito, tanto mais se investe.

Isolamento – Individualismo. 

Como a ideia de bem comum, socializar-se, cria vínculos com aqueles que estão a sua volta é vista como ameaçadora, insensata, indevida, improvável. Conduzindo a sociedade a estar confinados – espaços fechados, isolados, fora de sua realidade.  

Assim surgem dia após dia, comunidades postuladas, reivindicando seus próprios “nichos na sociedade” e que inventam cuidadosamente suas próprias raízes, sua cultura, sua tradição, seus hábitos.

Esforços para manter a distância, o “outro”, o diferente, o estranho, o estrangeiro e a decisão de evitar a necessidade de comunicação, negociação e compromisso mútuo, não são as únicas respostas concebíveis a incerteza existencial enraizada na nova fragmentada, fragilidade, fluidez dos laços sociais.

“Não fale com estranhos” – outrora uma advertência de pais zelosos a seus filhos, hoje se tornou o preceito estratégico da normalidade adulta , reafirmando como regra de prudência a realidade de nossas vidas em que os estranhos são pessoas com quem nos recusamos a falar.  

Os governantes impotentes para atacar as raízes da insegurança e ansiedade de seus súditos, estão bem dispostos e felizes com a situação. Não há interação, não há troca, não há informação, não há comoção. E o resultado é estar a frente de uma a sociedade pura, fragmentada, cada qual com seu grupo, desengajada, livre, fraca, solitária, fragilizada. 

De acordo a Benjamin Franklin “tempo é dinheiro”, definindo o individuo como o animal racional que faz ferramenta , e se assim o faz, faça bom uso.  

O tempo se torna dinheiro depois de ser tornado uma ferramenta, ou uma arma por assim dizer, voltada principalmente para vencer a resistência do espaço, encurtar as distâncias, tornar exequível a superação de obstáculos e limites à ambição humana.

Quantas viagens foram possibilitadas por meio dessas ferramentas? Quantas pessoas foram atingidas por meio dessas ferramentas? Quantas mais, quantas possibilidades.

Com o advento do vapor e do motor, uma explosão de ideias  - um facilitador  -  a possibilidade de chegar onde quer que queiram e rapidamente e com segurança e conforto.

Na era dos motores quem viajasse mais depressa podia reivindicar mais territórios, e controla-los e mapeá-los e supervisioná-los. O tempo acomoda tudo, traz conhecimento, promove experiências.

Pode se considerar o começo da era moderna as várias facetas das práticas humanas. 

A relação entre tempo e espaço emancipatório, mutável e dinâmico.

Descartes já dizia “ penso logo existo” e Rob Shieldes “ ocupo espaço, logo existo” e de acordo a Michel de Certeu “poder , consiste em territórios e fronteiras” já Chesswell afirma que “as armas dos fortes são: classificação, delineamento e divisão”.

Essa foi a era das maquinas pesadas “quanto mais melhor, quanto maior melhor” tamanho é poder, volume é sucesso. A conquista do espaço era o objetivo supremo.

Riqueza e poder de tamanho e qualidade tendem a serem  lentas, resistentes e complicadas de mexer. Exige ação a longo prazo. Crescem ocupando o lugar  e protegem-se, protegendo este lugar. 

A lógica do poder e a lógica do controle estavam estritamente ligadas entre o dentro e o fora . O tempo para o trabalho era flexível, o tempo para colonização e fortificação do indivíduo dentro do espaço conquistado era inflexível, rígido e uniforme – controle absoluto sobre o individuo - Um casamento sólido entre o indivíduo , o capital e o trabalho.

Com o advento do capitalismo, do software, da modernidade leve, de formas organizacionais mais soltas, flexíveis, voláteis, onde o espaço é livre.

O tempo instantâneo e sem substâncias, múltiplo, complexo e rápido – num universo de viagem a velocidade da luz , onde o espaço pode ser atravessado literalmente a esta velocidade, não impondo mais limites a ação e seus efeitos, com isso perdeu seu valor estratégico.  A estratégia agora consiste não mais no domínio do tempo e espaço mas sim do indivíduo.

A leveza e a infinita volatilidade e flexibilidade da agência humana. Instantaneidade, essa é a palavra chave.  

O domínio agora está nas mãos de pessoas. Em nossa própria capacidade de escapar, de nos desengajarmos, de estar em “outro lugar” e no direito de decidir sobre a velocidade com que isso será feito e  ao mesmo tempo de destituir os que estão do lado dominado e de sua capacidade de parar ou de limitar seus movimentos ou ainda , torna-los mais lentos.

A batalha crucial é travada entre forças que impunham respectivamente as armas da aceleração e da procrastinação. Quanto mais ágil, maior o efeito. 

O acesso  diferencial , a instantaneidade é fator crucial, preponderante, entre as versões correntes do fundamento duradouro e indestrutível das divisões sociais em todas as suas formas , historicamente cambiantes. O acesso diferencial a imprevisibilidade e, portanto a liberdade.

"A modernidade leve permitiu que um dos parceiros saísse da gaiola. A modernidade “sólida” era uma era de engajamento mútuo. A modernidade “fluida” é a época do desengajamento, da fuga fácil e da perseguição inútil. Na modernidade “liquida” mandam os escapadiços, os que são livres para se mover de modo imperceptível."

E assim se constituíram as modernidades , pesada, capital, trabalho e dominação. Sólida, a era do engajamento mítico. Fluida, a era do desengajamento, da fuga fácil, da perseguição inútil e a modernidade líquida, onde mandam os mais escapadiços, os que são livres param se mover de modo imperceptível.

Volume e tamanho deixaram de serem recursos e passaram a se tornarem riscos. Se a ciência da administração centrava-se em conservar a mão-de-obra e forçá-la, subordiná-la, hoje, a arte da administração consiste em afastá-los, manter afastada a mão de obra humana. Forçá-los a saírem e assim serem substituídos por máquinas, softwares, muito mais fáceis  de acomodar, para coordenar, deixando de lado a tarefa exaustiva do gerenciamento.  

Encontros breves substituem engajamentos duradouros.

Fusões e redução de tamanho não se contrapõem. A fusão pronuncia uma corda mais longa para o capital esguio e flutuante – o capital , ganha mais campo de manobra. A redução de tamanho ganha espaço, maior mobilidade, propulsão e deslocamento fácil e auto acelerado / agilidade e o medo de perder o jogo da competição fica para os fracos, os pequenos os desafortunados, ou melhor, aqueles que não tiveram competência para tal – o maior não se traduz pelo mais eficiente , o melhor sim, é o mais eficiente.  

Um jogo global onde se  arrisca, coloca-se numa rede de possibilidades. Se jogar, e claro !

A era do desapego, nada de compromisso duradouro.

A era do individuo destemido, determinado, imediatista, intenso.    

A indiferença em relação à duração transforma a imortalidade de uma ideia numa experiência e faz dela um objeto de consumo imediato: é o modo como se vive o momento que faz desse momento “uma experiência imortal”.  

Uma viagem onde o ilimitado das sensações possíveis ocupa o lugar que era ocupado nos sonhos, pela duração infinita. E nessa viagem os trilhos continuam a serem desmontados e remontados a medida que a locomotiva avança e as marcas da montagem vão sendo apagadas, sem deixar rastros, rapidamente, instantaneamente. Na mesma rapidez , com a mesma facilidade, com a mesma velocidade com que foram montadas.  

A instantaneidade (a anulação da resistência do espaço e liquefação da materialidade dos objetos) faz com que cada momento pareça ter capacidade infinita;  e a capacidade infinita significa que não há limites ao que pode ser extraído de qualquer momento – por mais breve e “fugaz” que seja.  

A questão agora é encurtar o espaço de tempo da durabilidade, de esquecer o longo prazo, de focar na manipulação de transitoriedade ao invés da durabilidade, de dispor levemente das coisas para abrir espaço para outras igualmente transitórias e que deverão ser usadas instantaneamente,  consiste no privilégio de poucos afortunados, e que faz com que estejam sempre acima.

Manter as coisas por longo prazo, produto, emprego, vínculo com o futuro, para além de seu prazo de descarte e para além de seus substitutos novos e aperfeiçoados estiverem em oferta, é ao contrário, sintoma de privação, ou seja, torna-se inviável.  

A desvalorização da instabilidade não pode senão anunciar uma rebelião cultural. Decisivamente o marco mais decisivo na história cultural humana. Consiste em peneirar, sedimentar, consolidar duras sementes de perpetuidade a partir de transitórias vidas humanas e de ações humanas fugazes, em invocar a duração a partir da transitoriedade, a continuidade a partir da descontinuidade e assim transcender os limites impostos pela mortalidade humana, utilizando homens e mulheres mortais a serviço da espécie humana mortal. 

A nova instantaneidade do tempo muda radicalmente as modalidades de convívio humano, tanto pessoal quanto coletiva.  

Credibilidade é um recurso valioso.

Atribuição da confiança é uma ferramenta, é a arma mais zelosa.

A escolha racional na era da instantaneidade significa buscar a gratificação, evitando as consequências e particularmente as responsabilidades que em consequências podem implicar. Traços duráveis de gratificação de hoje hipotecam as chances de gratidão do amanhã.  A  duração deixa de ser um recurso para tornar-se um risco; o mesmo pode ser dito de tudo que é volumoso, sólido e pesado – tudo o que impede ou restringe o movimento.   

Bauman cita a visão de Gui Debord,  ”os homens se parecem mais com os seus tempos que com seus pais”.
O advento da instantaneidade conduz o indivíduo a um território não mapeado e não explorado, E esse indivíduo insiste em querer esquecer o passado, e não parece mais acreditar no futuro – mas a memória do passado e a confiança do futuro foram os pilares em que se apoiavam as pontes culturais e morais, entre a transitoriedade e a durabilidade, a mortalidade e a imortalidade.  


A Comunidade na Modernidade Líquida


A Comunidade na Modernidade Líquida


Homens e mulheres  buscam  grupos sociais em que tenham afinidades, que possam fazer parte, num mundo em que tudo mais se desloca e muda. E exatamente quando a comunidade entra em colapso, inventa-se a identidade. Buscando valorizar as raízes, as culturas historicamente construídas, como que resgatando a essência do indivíduo na sociedade e meio que justificando o porquê das “escolhas”.


Determinados grupos, determinados indivíduos influenciados pela cultura a que pertença. O conjunto de características que distingue uma pessoa ou uma coisa, e por meio das quais é possível individualiza-la.

Bauman nos afirma que embora as pessoas tenham que escolher entre diferentes grupos de referência de identidade, sua escolha implica a forte crença de que quem escolhe não tem a opção a não ser ao grupo específico a que pertence.

Hábitos rotinizados e expectativas costumeiras, aconchegante, imune, até então impenetrável,  de aspectos menos atraente do pertencimento, estes são grupos familiares no porto seguro a que tanto se estimava “aqueles que não se deixavam levar “, hoje, também estão em decadência, em extinção, influenciados por uma emancipação, pela transitoriedade e desequilíbrio social.

Uma comunidade includente, que permite que “estranhos” façam parte seria um contradição em termos, todavia incompleta, inacabada, talvez impensável,  ainda que desejável, e  permite, e possibilite tal ação.      

O mundo comunitário está completo porque todo o resto é irrelevante, mais exatamente, hostil – um ermo repleto de emboscadas e conspirações e fervilhante de inimigos que brandem o caos como sua arma  principal – A harmonia interior do mundo comunitário brilha e cintila contra a escura e impenetrável selva que começa do outro lado da estrada.

O desejo de endemonizar os outros se baseia nas incertezas antológicas – tais atitudes são naturais  do indivíduo “devemos escolher a lealdade, á ética, à nossa natureza -  como se tudo que o indivíduo faz fosse e sempre será  de livre escolha -  A ideia de etnicidade e de homogeneidade étnica por uma especificidade sócio cultural – religião, língua, costumes – com base legítima da unidade e da auto afirmação ganhou com isso uma fundamentação histórica. 

Quando há uma supressão da comunidade e ou grupo, é motivo de grande sucesso e satisfação para aqueles que ambicionam dividir, fragmentar até que se extingua. Contando com poderoso apoio da imposição legal e de um sistema legal unificado.

Enquanto que o patriotismo pende para uma visão subjetiva, o nacionalismo pende para o conhecimento e as experiências adquiridas por toda a vida do indivíduo. O empirismo - alto grau de observação das coisas , das pessoas, das vivências, dos resultados frente as ações. Já o patriotismo tem a  ver com o pragmatismo, com as doutrinas pré estabelecidas – ideologias .


Estamos falando de uma nação construída.


O patriota destaca-se por sua benevolência e ou tolerância à variedade cultural de seu país. E como tolerar essa diversidade , um misto de pessoas de diferentes nações , e em meio a esse processo de globalização essa troca de convivência , é inevitável a não  alteração de seu estado nação sem alterar a essência do indivíduo, sua cultura, suas escolhas. Chegam e  trazem  consigo uma bagagem social diferenciada , que promove mudanças , desorganiza, desestrutura e nada será feito? E tudo se acomoda passivamente, aceitavelmente?  só que  não !

O nacionalismo é hoje o patriotismo indesejado e o patriotismo é hoje o nacionalismo indesejado – realidades desagradáveis, manipulações, adestramento e dominação.    

 Hoje o patriotismo devora os estrangeiros, no sentido de absolver e se tornar igual, idênticos, deixando de lado, perdendo sua própria distintividade. Já o nacionalismo rejeita, repele, se fecha no seu mundo, constrói barreiras, e na medida do possível,  se opõe.   

A ideologia patriotista e nacionalista enxerga o indivíduo como eles, porém com diferenças. Há semelhanças porém na tomada de decisões políticas considera-se as diferenças.

O nacionalismo tranca as portas, arranca os ferrolhos, desliga as campainhas, declarando que apena os que estão dentro tem direitos de ai estar e se acomodar. Já o patriotismo é mais hospitaleiro, acessível. Não os deixa muito à vontade, porém os permite adentrar.

Com isso  a nação vai perdendo a sua essência, todavia, isto é de certa forma benéfico, viver em conjunto significa negociação, conciliação de interesses, coerção, opressão.  

Amplia os horizontes da comunidade, da humanidade e multiplica as oportunidades sem debate, sem confronto, sem negociação, sem compromisso entre valores, preferências e caminhos “escolhidos”.  Uma realização conjunta de agentes engajados na busca de auto identificação, e uma vez que as crenças, valores e costumes foram privatizados, descontextualizados e desmontados, agora, um indivíduo frágil, volátil e desestruturado. 


Como afirma AlanTourbine ”o fim da definição de ser humano como ser social, definido por seu lugar na sociedade, que determina seu comportamento ou ação”, e assim a defesa, pelos atores sociais, de sua “especificidade cultural e psicológica”, só pode ser conduzida com “consciência de que o princípio de sua combinação pode ser encontrada dentro do indivíduo, e não mais em instituições sociais ou princípios universais”   





Tal definição demanda muita iniciativa individual apoiada em astúcia e determinação.   


Não há definição que não seja autoafirmação nem identidade que não seja construída. Tudo se resume à força do agente em questão.

Essa universalidade, uniformidade tende a diferir em proporção direta aos meios e recursos em que os atores dispõe. Cada qual se resguardando a seu modo e condição – isolados e cercados – equipados intrincados sistemas de comunicação e câmeras - Ricos para um lado e pobres pra outro lado – e o mito, a crença da solidariedade comunitária – um ritual de purificação – O que distingue esse compartilhamento mítico, é que as pessoas sentem que pertencem umas as outras. E ficam juntas. 

O sentimento de nós, que expressa o desejo da semelhança,  é um modo de evitar o olhar mais profundamente, nos olhos dos outros.  

Assim são as iniciativas do poder público – a proteção à vida – todavia, a estrutura pertence ao indivíduo e o que não falta são os conselheiros . E em meio às incertezas e a falta de garantias das autoridades que são os provedores da ansiedade, o ápice da desestruturação.  

De acordo a Bauman há um verdadeiro sonho de consumo num mar de turbulências e hostilidades. Levemente, sutilmente, subjetivamente. Seguidos de sua recusa em endossar as aspirações de certeza, segurança e garantias de seus cidadãos. Atolados num mar de areia movediça sem ter pra onde correr. 

A luta pela existência significa a luta pelo espaço, entre o mais rápido e o mais lento...