A Gulosa Disfarçada

A Gulosa Disfarçada

                                                                                                                           Luis Câmara  Cascudo

Um homem tinha se casado com uma mulher excelente, boa dona de casa, trabalhadeira e honrada, mas muito gulosa. Para disfarçar seu apetite, a mulher fingia-se sem vontade de alimentar-se sempre que fazia as refeições diante do marido. Porém, apesar desse regime, engordava cada vez mais.

Admirado de alguém poder viver com tão pouca comida, o marido resolveu certificar-se do que se passava.
Será que a mulher não se alimentava em sua ausência? 
Disse que ia para o trabalho e escondeu-se num lugar onde poderia acompanhar os passos da esposa.

No almoço, viu-a fazer tapiocas de goma, bem grossas, molhadas no leite de coco, e comê-las todas, deliciada. 
Na merenda, mastigou um sem-número de alfenins, branquinhos e gostosos. 
Na hora do jantar matou um capão, ensopou-o em molho espesso, saboreando-o. 
À ceia, devorou um prato de macaxeiras, enxutinhas, acompanhando-as com manteiga.
Ao anoitecer (...)

(...) Mas a chuva era fina como os alfenins que você merendou e eu fiquei enxuto como as macaxeiras que você ceou.

A mulher compreendeu que havia sido descoberta e nunca mais escondeu seu apetite do marido.

OPS!  A HISTÓRIA NÃO ESTÁ NA ÍNTEGRA , ASSIM COMO AS ILUSTRAÇÕES,  POR CAUSA DE DIREITOS AUTORAIS, TODAVIA, VALE A PENA CONFERIR!

A Vidraça e os Lençóis

A Vidraça e os Lençóis

Um casal, recém-casado, mudou-se para um bairro muito tranqüilo. Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou através da janela em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:

- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Está precisando de um sabão novo! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas! 

O marido a tudo escutava, calado. 

Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou com o marido:

- Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade, perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas! 

E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal. 

Passado um mês, a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos e, toda empolgada, foi dizer ao marido: 

- Veja, ela aprendeu a lavar as roupas! Será que a outra vizinha a ensinou? Porque eu não fiz nada! 

O marido calmamente respondeu: 

- Não, hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!

Moral da História:

Tudo depende da janela, através da qual observamos os fatos.
Antes de criticar, alguém é sempre bom verificar se estamos fazendo alguma coisa para contribuir; verificando nossos próprios defeitos e limitações.

Devemos olhar, antes de tudo, para nossa própria casa, para dentro de nós mesmos.