Ser Filho Hoje

Ser  Filho  Hoje



Ser filho hoje....
Maria Irene Maluf

Se nos detivermos no estudo da história das sociedades veremos que a forma das famílias lidarem com suas crianças ao longo dos séculos, ainda tem algo de muito similar com o que fazemos hoje. Em parte deve-se à fragilidade dos bebês da espécie humana nos seus primeiros anos e também à necessidade da criança ser preparada para a vida em sociedade. Assim, os aspectos como alimentação adequada, cuidados com sua higiene e saúde, a prevenção de acidentes, a socialização, encabeçam uma lista que seria feita tanto há centenas de anos como atualmente, pela família contemporânea.

Assim, também existem diferenças gritantes e não só por conta da passagem do tempo, mas das mudanças dos costumes, da tradição de cada povo, da origem da cultura  e essas discrepâncias não se prendem apenas  à infância, mas ao período que se segue, o qual nós denominamos de adolescência, uma época em que se conflitam as características adultas com as infantis.



Falarmos e compreendermos totalmente hoje sobre como tem sido a educação de crianças e sobre a infância na história é  tarefa complexa mesmo para os mais renomados historiadores, porque os documentos existentes foram sempre feitos pelos adultos. Mesmo no presente é difícil sabermos diretamente das crianças como vivenciam, como percebem sua vida e a si mesmos. Os relatos que os jovens e adultos traçam de suas próprias infâncias assim como da de seus parentes, sempre sofrem a interferência da memória, da visão pessoal, do que contaram outras pessoas e do tempo. Falta a observação direta do passado e mesmo na maioria das vezes isso ocorre também  no presente, dada a dificuldade de se observar todos os  aspectos que circunscrevem a vida da criança. Além do mais, há que se lembrar que o conceito de infância foi se alterando ao longo da história e a própria lembrança dos fatos vai se modificando ou se perdendo ao longo dos diferentes apontamentos.

Como terá sido ser filho ao longo dos tempos? Terá sido muito diferente do que é hoje? Procurei conversar com pessoas de idades diversas e especialmente com pré-adolescentes para buscar uma resposta e fiquei surpresa com o que ouvi e li.  Constatei que para algumas coisas o tempo não trouxe alterações, ao menos nas últimas seis décadas e entre elas se destacou a necessidade que todos temos da atenção de nossas mães e de nossos pais. Parece que todo o tempo crianças, adolescentes e até adultos, estão na busca daquele olhar, no aguardo daquele colo, na vontade de escutar aquela voz tão familiar e confortadora de nossa mãe, principalmente. 

E aí veio a surpresa: em muitos relatos de adolescentes principalmente, encontrei frases que falam literalmente de como é difícil ser filho hoje, na era da informação, da tecnologia e da internet, pois estas, ao mesmo tempo que permitem que se converse com quem está distante a qualquer instante, também acabam ocupando os pais quando chegam na sua residência! E citam ocasiões em que estando a família toda em casa, trocam e-mails entre si para contar o dia e até as travessuras como as notas baixas, o estouro do cartão de crédito, o fim do namorico...



Dá o que pensar, pois é inédito na história. Será mesmo por aí que devemos ir ou melhor seria, por exemplo, voltarmos  a marcar o sagrado horário de jantar em família no qual podem sair atritos, mas todos recebem a atenção e o tempo do outro, off line?
Esse pode ser um bom assunto para nossa reflexão agora.
Até porque, nenhuma de nós, mães de filhos de todas as idades, vamos ficar felizes em receber apenas um e-mail, não é mesmo?
Conversar, dialogar, trocar ideias, falar do nosso dia a dia, de como foi, de como será o amanhá, tudo pelo teclado, não! sinceramente,  não dá!
A par disso, cabe aos responsáveis, pai, mãe, filhos, todos, dialogarem, se conscientizarem e repensarem suas ações, pois o tempo passa e o que passou, passou! e o que se plantou , com certeza, vai se colher.
Hoje, uma mera sementinha, regada, dia após dia. Amanhã, o resultado.
Se bem regado, se o adubo for de boa qualidade, apresentar os nutrientes necessários, o resultado será maravilhoso.

A família...

Como esse papel terá mudado com o passar do tempo frente às sociedades em evolução... ?

Será que precisamos mesmo de tanto tempo para o outro, para o trabalho. A busca incessante por algo que nem sabemos ao certo, mas que nos é cobrado despercebidamente.

E o futuro!?  já que o presente se faz tão presente que não nos permite pensar nele...







Educando Com Limites

Educando Com Limites

                                                                                              Autor:  Maria Irene Maluf



A pedagoga Maria Irene Maluf fala da imposição de limites às crianças, fator fundamental para fortalecer comportamentos adequados e minimizar condutas indesejáveis



 Esta nova geração de crianças que hoje tem por volta de dez anos de idade, nos surpreende em relação a muitas coisas. Algumas maravilhosas e outras infelizmente, nem tanto.

Acostumada a lidar com jovens, ainda assim fico perplexa com a dificuldade que muitas crianças, mesmo as que desfrutam de situações sócio-educacionais adequadas, tem em internalizar normas sociais básicas de convívio em grupo e tenho procurado entender o que acontece com elas, sua família e a sua escola.

Tirando casos onde existem patologias envolvidas, mesmo assim encontramos um surpreendente número de demonstrações explícitas de comportamentos que apontam para a falta de reconhecimento de fronteiras nas comunicações sociais e não só entre iguais, mas em relação aos pais, aos professores e autoridades em geral. É freqüente assistirmos as crianças falarem alto, interrompendo os adultos, interferindo em assuntos que não lhes dizem respeito, mexerem e destruírem a propriedade alheia com um desdém espantoso, ofendendo, rejeitando e menosprezando sem qualquer cerimônia tudo que lhes pode oferecer algum tipo delimite ou desprazer. A situação piora muito se por acaso se sentirem frustrados, pois nesses casos chegam às raias da agressividade sem qualquer cerimônia.

De um plano mais amplo, acho que devemos olhar para o mundo que essas crianças conheceram ao nascer: um mundo que se diz globalizado. Não que eu pense que a globalização é a causa direta desse e de outros problemas , mas um dos lados menos felizes desse movimento é que criou em mentes pouco esclarecidas,perspectivas fantasiosas da ausência de limites, de fronteiras  em muitas áreas, acabando por fortalecer e permear a idéia no que tange ao seu direito individual e de seus filhos.

Afinal, parece que nos tornamos potencialmente iguais, com os mesmos direitos, esquecendo-nos que com os mesmos deveres, o que mostra a fragilidade da concepção internalizada. Primeiro porque o que se vê hoje com freqüência é o postergar e o repassar para amanhã e para os outros,  sejam esses nossos colegas, pais, governantes, etc, a responsabilidade e o enfrentamento das conseqüências de nossos atos. Segundo porque cada vez mais as crianças assistem a uma inversão de valores realmente catastrófica: “eu” tenho direitos e os “outros” deveres….os “espertos” são ganhadores, já os “certinhos”…

(...)

Há limites, fronteiras e diferenças entre as pessoas, enquanto ocupam posições, cargos, desenvolvem funções, educam filhos, dirigem escolas, conduzem associações, governam países….O chefe é o chefe, tem visão mais ampla, responde à comunidade pela condução de seus caminhos e aos subordinados cabe cooperar e respeitar seu limite de ação e escolha.

E isso se aprende quando ainda se usam fraldas: depois é muito mais difícil. Quer um pequeno exemplo? Quando o pai proíbe a criança pequena de comer mais um doce, ele pode e deve explicar o motivo, mas “negociar” a ordem está totalmente fora de cogitação. Assim a criança percebe o seu limite, a fronteira e a diferença entre ela e o pai e entende quem manda ali. E ainda mais importante: sente-se mais segura, mais protegida e aprende a viver em sociedade. Aos poucos internaliza a idéia de que há um espaço a partir do qual ela não pode ir, pois será responsabilizada por isso e terá que vivenciar as conseqüências.

Quando os comportamentos já estão arraigados, não resolve ameaçar, castigar, bater. A experiência têm mostrado que explicar  detalhadamente as regras e as conseqüências das ações que as contrariam, parece ajudar efetivamente a internalizar as normas de conduta.

Não existe o tudo pode na vida real. Aliás, é sempre bom lembrar de uma pequena mas decisiva palavrinha que centraliza o fiel da balança em todas as relações humanas: o respeito. E esse sempre foi e percebe-se sempre será  fundamental, até mesmo nesse maravilhoso mundo globalizado, se quisermos continuar a viver nele!.

Algumas sugestões/dicas da especialista, que embora não esgotem o assunto podem ser valiosas na educação dos filhos

· Procure ser claro, tranqüilo e firme ao explicar à criança a situação;

· Procure fazê-la entender como as outras pessoas se sentem quando ela age de maneira inconveniente;

· Demonstre que você não gostou do comportamento, mas o quanto gosta dela: a intenção não é tirar a espontaneidade da criança, mas sim normatizar seus atos;

· É importante dar exemplos simples, adequados à idade, de outras possibilidades para resolver o problema;

·As normas devem ser explicadas à criança como o meio mais eficaz de ter um bom relacionamento com a família, na escola e na sociedade;

· Mostre as conseqüências imediatas de sua conduta indesejada;

· É importante que o adulto esteja muito seguro das razões pelas quais está exigindo que a criança tenha este e não aquele comportamento;

· A disciplina depende em boa proporção dos exemplos dos adultos e da sua capacidade em estabelecer as regras. Fiscalize e esteja atento para reorganizar soluções dos problemas que venham a surgir, sempre de modo afetuoso e firme;

· É fundamental que a criança se sinta querida e respeitada e que perceba que as regras impostas são para sua segurança, aceitação social e desenvolvimento adequado;

· Adultos equilibrados despertam a confiança das crianças. Adultos impulsivos tendem a criar filhos com igual característica de comportamento;

·Devemos ensinar desde cedo às crianças a lidar com suas frustrações e controlar suas expressões de desagrado;

· Autocontrole e tolerância à frustração são aprendizagens indispensáveis para viver em sociedade e devem advir da família, na qual as primeiras figuras de autoridade são apresentadas às crianças.

Os pais devem lembrar-se de que:

· São os educadores primeiros e fundamentais. A escola só complementa a educação que os alunos trazem de casa;

· Educar é uma tarefa trabalhosa, que requer persistência e autodomínio. Buscar ajuda profissional é o mais indicado antes que as coisas fujam de controle;

· Ensinar a criança a conhecer-se dentro de suas potencialidades e limitações reais e incentivá-la a crescer de forma socialmente saudável faz parte da educação;

· Educar um filho para adaptar-se a todas as situações da vida é dar-lhe meios de conquistar a própria autonomia e felicidade;

· Educar nada tem a ver com compensar os filhos pelas carências vividas pelos seus pais;

· Permissividade, tolerância excessiva, não são percebidas pela criança como um ato de amor, mas sim como pouca valorização, pouca atenção para com ela;

· Cada filho, assim como cada pessoa, é único e as ações educativas devem por isso ser personalizadas. Mesmo irmãos gêmeos, são pessoas diferentes;

(...)

· Jamais se desautorize ou desautorize outro adulto que lida constantemente com a criança. Antes, discuta e decida como agir com a criança nas diversas situações que se apresentam;

· Castigos devem ser usados com cuidado e nunca em momentos de nervosismo dos pais, pois terão de ser cumpridos pela criança, caso anunciados.

· A criança deve sempre aprender algo com a experiência vivida. Ser mais cuidadosa consertando algo que estragou, repor com um dos seus brinquedos o que perdeu de seu amigo ou limpar o que propositalmente sujou..

Obs.:Por causa de Direitos Autorais , tanto o  texto quanto as ilustrações não se encontram na íntegra.


SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS



Impondo nossa Autoridade

                                                                                                              Maria Irene Maluf

A partir desse ponto, instala-se o autoritarismo, um modelo de relação onde o adulto sempre manda e a criança (quase) sempre se submete. Ou se cansa e enfrenta , gerando uma ruptura seríssima na relação, devido à falta de respeito e injustiça que sempre serão lembradas.
Tão pernicioso quanto destrutivo da autonomia da personalidade infantil como o autoritarismo, é o excesso de permissividade: dizer não /ouvir não, e acatar uma ordem pode ser  uma questão de sobrevivência em sociedade.

Educar sempre inclui ensinar e vivenciar valores morais e éticos , respeitar as demais pessoas e agir de acordo com princípios que a família e a escola ensinam. Explicar aos pequenos a razão pela qual devem, podem , não devem e não podem fazer alguma coisa, lhes dá a medida exata da importância que eles têm para seus pais e professores e desenvolve sua auto-estima, sentimento indispensável para criarmos pessoas bem sucedidas, autônomas, equilibradas e felizes. 

Da mesma forma, se alguém quer perder sua autoridade definitivamente, deve começar a negociar o seu “não” com uma criança. Por mais que nos arrependamos de ter proibido algo como, por exemplo, de dar um castigo anunciado, porque nosso filho prometeu se corrigir, pediu nova chance, fez birra, chorou, etc, somente nos enfraquece e ao mesmo tempo fortalece nas crianças, um comportamento manipulador e gera pessoas eternamente frustradas, pois não conhecem seus limites. Por isso é sempre melhor responder “vou pensar” que pode se transformar em um “sim” ou um definitivo “não”. Essa orientação diz também respeito às promessas que tanto pais por vezes fazem, seja em termos de prêmios ou de recompensas assim como de castigos e que são praticamente impossíveis de cumpr ir ou controlar. Ninguém consegue deixar uma criança um ano sem ver televisão...
Deixar dois dias , uma semana, um mês, já é difícil!

Isso não significa que não possamos negociar novos acordos, especialmente com os adolescentes, mas para chegar a essa condição, é necessário antes ter tido um tempo para firmar nossa autoridade e nos certificarmos de que o jovem tem compreensão, equilíbrio e condições de gerenciar tal situação.

A autoridade ao contrário do autoritarismo, é uma atitude inteligente, porque dialoga, justifica, mas é firme em seus princípios e limites. Dá segurança e cria pessoas preparadas para a vida , capazes de exercerem  a sua  autoridade , serem participativas e pessoal e socialmente responsáveis.

(...)

Portanto há de se considerar uma diferença muito grande entre seguir regras e combinados e estabelecer ordens.
O respeito é sempre uma conquista.  Uma grande conquista!

Obs.:Por causa de Direitos Autorais , tanto o  texto quanto as ilustrações não se encontram na íntegra.






   Pequeno  Cidadão  -  Carrossel


 Agora pode tomar banho
Agora pode sentar pra comer
Agora pode escovar os dentes
Agora pegue o livro, pode ler

Agora tem que jogar vídeo game
Agora tem que assistir TV
Agora tem que comer chocolate
Agora tem que gritar pra valer

Agora pode fazer a lição
Agora pode arrumar o quarto
Agora pegue o que jogou no chão
Agora pode amarrar o sapato

Agora tem que jogar bola
Dentro de casa
Agora tem que bagunçar
Agora tem que se sujar de lama
Agora tem que pular no sofá

É sinal de educação
Fazer sua obrigação
Para ter o seu direito
De pequeno cidadão

É sinal de educação
Fazer sua obrigação
Para ter o seu direito
De pequeno cidadão