Cocô de Passarinho

Cocô de Passarinho

Eva  Furnari



A leitura traz em si o dia a dia de um determinado grupo social, que mora numa pacata cidade.
Nos remete ao ciclo natural da vida, onde o tempo ; os dias, os meses e  os anos é que ditam as pequenas mudanças , que acontecem de maneira lenta e progressiva.
Tudo a seu tempo e no seu espaço. Sem pressa...
É uma boa leitura para trabalhar conceitos de onomatopeias. maravilhoso!
E outra dica para confirmar se houve mesmo atenção a leitura , por parte dos alunos, seria  questionar sobre  os nomes das flores que nasceram nos chapéus, dos filhotes de passarinhos e também dos  filhos  dos moradores. Só aí já temos três questões avaliativas.

Quanto as ilustrações, maravilhosas! Pois, contextualizam  e complementam de maneira belíssima a leitura.



Era uma vez uma cidade bem pequena.
Tinha só 6 habitantes.
Todo fim de tarde eles se encontravam na praça  central.  
Gostavam de conversar.
Sentavam sempre no mesmo lugar e diziam sempre as mesmas coisas.

-  Puxa, que calor!
- Calor horrível!
- Como vão os negócios?
- Vão mal.
- O ano que vem vai ser pior.
-  Vai.

Os passarinhos da praça também pousavam sempre nos mesmos galhos e piavam sempre as mesmas coisas.

- Piu!
- Piu!
- Piu, piu!
- Piiiu.
- Piu, piu, piupiu!
- Piu.

Os seis moradores da pequena cidade tinham um grande problema.
Todos os dias , os passarinhos faziam cocô na cabeça deles e isso os deixava aborrecidos.
Certo ia, eles ficaram mais aborrecidos que o normal e resolveram que era hora de dar um jeito naquilo...


A conversa dos passarinhos mudou um pouco...

- Piu!
- Burp!
- Piu!
- Piu, piu!
- Pi-iu.
- Glurp.



Três meses depois.
- Nasceram os filhotes.  Vamos escolher os nomes.
- Popoguto, Ticotinho e Zululeco?
- Ou Popotinho, Ticoleco e Zuluguto?
Quatro meses depois.
- Eu gosto quando eles dançam valsa.
- Eu prefiro tango, é mais divertido.

Um ano depois...

No dia da festa os passarinhos piavam animados.
- Piu!
- Iupii! Pip-urra!
- Piup!
- Hic!
- Inhé. sgluf, spling!
- Piau!

E os moradores conversavam e dançavam entusiasmadas....

Alguns anos depois, nasceram os filhos dos moradores da cidade: Popin, Tukin e Zulin.
E assim, a vida da pequena cidade ficou ainda mais alegre e mais cheia de chapéus.



Obs.:Por causa de Direitos Autorais , tanto o  texto quanto as ilustrações não se encontram na íntegra.

PINOQUIADA

PINOQUIADA

TATIANA BELINKY



A FOCA MUITO ASSANHADA
SE FANTASIOU DE CAIPIRA-
-MENTIRA!

A LESMA SAIU CORRENDO
E DEU UMA CAMBALHOTA-
-LOROTA!

UM PAPAGAIO ARRETADO
GANHOU UM PRÊMIO NO RODEIO-
-NÃO CREIO!

UMA PREGUIÇA ESTRESSASA
ARMOU UM FORROBODÓ!
-DUVUDEODÓ!

UM RATO, AO MORDER O GATO,
MIOU DE DOR DE BARRIGA!
-NÃO DIGA!

(...)



Obs.:Por causa de Direitos Autorais , tanto o  texto quanto as ilustrações não se encontram na íntegra.

Currículo na Educação

Currículo




Currículo é a maneira como a escola organiza  e se organiza
 a partir dos encontros, tempos , espaços e materiais.


Sistemática, pedagógica e que se constrói com acontecimentos dialógicos entre culturas.
Um conjunto de práticas que busca articular as experiências e os saberes com o conhecimento técnico-científico, artístico e cultural, de modo a promover o desenvolvimento integral do aluno. Respeitando a individualidade e as especificidades de cada sujeito. São as diversas áreas do conhecimento.

Princípios da integração entre as etapas e modalidades da Educação Básica: Criatividade e autonomia, incentivados desde à Educação Infantil, e que precisam ser princípios orientadores também no Ensino  Fundamental. 
Considerando os ciclos da vida na Educação Básica, é necessário trabalhar à convivência entre as diferentes gerações ,diferentes idades, em práticas pedagógicas comum. tendo à Unidade Educacional como pólo cultural da comunidade, tendo envolvimento da escola e comunidade na promoção da aprendizagem a fim de que  o currículo contemple espaços educativos para além da sala de aula. baseando-se em princípios éticos, estéticos e políticos de atuação, em todas as etapas e modalidades. Exercendo total respeito e apoio a diversidade.

O Currículo formal só entra em ação se for transformado em Projeto Político Pedagógico, sinônimo de trabalho coletivo, aquele que orienta toda a vida escolar e que está sendo constantemente mediado pelo coordenador, e pelo  trabalho coletivo dos professores, em ação.

 Indagações Curriculares: Currículo, Conhecimento e Cultura

Os estudos de currículo: desenvolvimento e preocupações. - .Diferentes fatores sócio-econômicos políticos e culturais contribuem, assim, para  que o currículo venha a ser entendido como”. conteúdos / experiências de aprendizagem / planos pedagógicos /objetivos  do ensino /processos de avaliação.

DISCUSSÕES E PREOCUPAÇÕES - Conhecimentos escolares/procedimentos e relações sociais no cenário educativo/ transformações no educando/valores/construção de identidades.

CURRÍCULO OCULTO -  conteúdos que  não estão explícitos nos planos e propostas.

PLURALIDADE CULTURAL  - Diversidade/ confrontos e conflitos x enriquecimento e renovação
“O currículo é, em outras palavras o coração da escola, o espaço central em que todos atuamos, o que nos torna, nos diferentes níveis do processo educacional, responsáveis  por sua elaboração”. 
Esclarecendo o que entendemos por conhecimento escolar - Uma construção específica da esfera educativa, o conhecimento escolar tem característica própria. O conhecimento escolar:  impressão de “pronto”, “acabado”, impermeável a características e discussões.O processo de construção do conhecimento escolar sofre efeitos das relações de poder.A Diversidade cultural que marca nossa sociedade e pode ser entendida de diferentes formas.
Conhecimento escolar: descontextualização e recontextualização. Cultura, diversidade cultural e currículo -  Conceitos: Séc XV: cultivo da terra e de animais. Séc XVI: mente humana. Séc XVIII: caráter classista. Séc XX: cultivo popular. E como temos considerado, no currículo, essa pluralidade, esse caráter muticultural de nossa sociedade? Como articular currículo e multiculturalismo? Que estratégias pedagógicas podem ser selecionadas? 
Princípios para a construção de currículos multiculturalmente orientados  -  A necessidade de uma nova postura  -O daltonismo cultural é aquele que não valoriza o arco-íris de culturas. O professor enxerga todos os estudantes como idênticos não levando em conta a necessidade de estabelecer diferenças entre eles e nas atividades pedagógicas. ... necessidade de desconstruir e desnaturalizar esteriótipos de "verdades" que impregnam e configuram a cultura escolar e a cultura da escola.
Um currículo como espaço que se reescreve o conhecimento escolar - Trata-se de desafiar a ótica do dominante e de promover o atrito de diferentes abordagens, diferentes obras literárias, diferentes interpretações de eventos históricos, para que se favoreça ao(à) aluno(a) entender como o conhecimento socialmente valorizado tem sido escrito de uma dada forma e como pode, então, ser reescrito.
A escola precisa, assim, acolher, criticar e colocar em contato diferentes saberes, diferentes manifestações culturais e diferentes óticas. A contemporaneidade requer culturas que se misturem e ressoem mutuamente, que convivam e se modifiquem.
O aluno tem sua própria cultura, o que reflete de sua  família, e isso a escola precisa trabalhar de acordo com seus  contextos sociais e culturais.
É possível dividirmos a realidade humana com as culturais, tradições sociais. Para focarmos este contexto em sala de aula, é preciso diversificar e tornar evidente construções históricas de categorias, como raça, nação, sexualidade etc.
Reconhecimento de novas identidades culturais.   Espera-se que os princípios usados para a construção dos currículos multiculturalmente orientados para induzir professores a trabalhar a educação cultural; Se pendura há anos a visão única e estereotipada sobre a nossa cultura.  Desvelar essa realidade (pluralismo cultural, nosso enraizamento cultural...) e favorecer uma visão dinâmica, contextualizada e plural das identidades culturais é fundamental, articulando-se as dimensões pessoal e coletiva desses processos.
Um espaço de questionamentos de nossas representações sobre os outros  - Junto ao reconhecimento da própria identidade cultural as representações que construirmos dos outros, daqueles que consideramos diferentes, estão carregados de dramaticidade e ambiguidades e refletem nos currículos e nas relações sociais.
Quem são os “nós”? Nós todas aquelas pessoas que tem referenciais semelhantes ao nossos e que tem hábitos de vida e valores, estilo e visões de mundo que se aproximam dos nossos .
Quem são os outros? O outro como fonte de todo mal, como alguém a tolerar.
Desejamos destacar que o modo como concebemos a condição humana pode bloquear nossa compreensão dos outros .
Espaço de crítica cultural  -  Fazer com que os alunos conheçam as diversidades, a fim de ampliar seus horizontes culturais, colaborando com o processo de formação de identidade das crianças e adolescentes.
Tirar o foco do modismo da sociedade que de uma certa forma e  imposta pela mídia, como: as drogas, o preconceito, erotização das crianças e adolescentes.
Levando mais cultura para a escola através dos currículos orientados para que o estudante interaja com outras culturas e manifestações.
Currículo como espaço de desenvolvimento de pesquisas  - Estamos defendendo, em resumo, que se torne o currículo, em cada escola, um espaço de pesquisa. A pesquisa, concebida em um sentido mais amplo, reiteramos, não está restrita  à universidade.  Como  professores(as) / intelectuais que atuamos na escola, precisamos enfrentar esse desafio, tornando-nos pesquisadores(as) dos saberes, valores e práticas que ensinamos e/ou desenvolvemos, centrando nosso ensino na pesquisa. Nesse processo, poderemos aperfeiçoar nosso desempenho profissional, poderemos nos situar melhor no mundo, poderemos, ainda, nos engajar na luta  por melhorá-lo. Nesse processo, poderemos despertar nos alunos e nas alunas o espírito de pesquisa, buscar conhecer coisas novas, na próxima reunião devemos começar  a discutir essa questão. 


Precisamos mudar a postura, a maneira de pensar. Pensar o heterogêneo como positivo, porque a homogeneidade da escola precisa ser superada.

Currículo e avaliação um diálogo necessário por  Francisco José Soares

A  importância de se garantir ao aluno o acesso, a permanência e o aprendizado.
devemos refletir na escola de todos, planejando  e refletindo sobre o planejamento/ação, atentos ao porque do sujeito estar ali.
A avaliação possibilita ver o que o aluno aprendeu e o que ainda não apreendeu, portanto , não aprendeu. Os resultados das aprendizagens permite que se traça um olhar científico em relação a ação pedagógica, gerenciando seus processos e progressos, assim como sua dificuldades. O aluno precisa de alguém que continuamente o esteja guiando, direcionando seus passos, suas competências e habilidades.
O aluno é sujeito de direitos, portanto, isso precisa se considerado e estar especificado, explícito, registrado, documentado em meio ao planejamento, na construção do currículo que , por sua vez, precisa e deve estar amparado/ancorado dentro do PPP.
E é aí que se apresenta e se constata à competência do educador frente as necessidades e os direitos dos educandos, a competência de se realizar tais tarefas.

Alípio Casali discorre sobre a Educação Pública, estabelecendo relação entre qualidade e quantidade.
Em Educação a quantidade é sempre parte da substância da qualidade. Entendendo que educação é um direito universal, uma referência a qualidade de vida e, por ser um direito deve ser estendida, Extensão, que remete a quantidade, a todos!
Ele sinaliza que existem pré-condições já alicerçadas e que não depende só da escola. Essas,  por sua vez , são as ampliações de possibilidades em busca da qualidade. São as constantes lutas em busca das inúmeras mudanças para que elas se efetivem, para que o sistema , por ser aberto ao diálogo, por ser democrático, possibilita tais ações e cobranças. Estamos num estado de direito democrático, representativo e participativo, baseado em políticas públicas  e está por sua vez traz em si, garantias. Daí serem pertinentes as cobranças, as intervenções, a colaboração , o trabalho coletivo/equipe para que se efetivem.
Considerando que em meio a tantas rupturas que acontecem por conta das  mudanças, de tudo e de todos que envolvem os profissionais da educação, o sistema em si, apresenta como um dos grandes questionamentos, elencados por Casali, diz respeito as mudanças dos profissionais em busca de melhores oportunidades e  , assim sendo, não tem como haver continuidade , ou seja , há muita quebra, muita troca de profissionais por unidade e isso interfere, causa instabilidade, fracasso escolar. E se tem que reiniciar o processo constantemente.
Portanto a remuneração é a base desse fortalecimento/estabelecimento e que cabe as políticas públicas tais responsabilidades para que se efetive essa inserção,  condições de trabalho adequadas para que não haja tanta migração de cargo, e assim as ações se efetivem.

O governo federal, o MEC , em meio as políticas pedagógicas , como orgão que tem que observar , avaliar e refletir para que haja mudanças, para que elas realmente aconteçam, precisa estar em anãlise contínua de alguns documentos.
Casali descreve sobre as condições para um bom trabalho e diz que é preciso pensar na infraestrutura da escola, tanto para os alunos quanto para os profissionais.
No  projeto político pedagógico ficam registrados as intenções da escola, da comunidade, um documento que se efetive a participação de todos. Ações de escuta, de diálogo, com objetivos comum a todos.
Planos de carreira para os profissionais, incentivos e valorização.
Quanto a avaliação, ela tem co-relação com mérito e a avaliação é um bem público, um direito social, e que é preciso visibilidade , não pode ser distorcida, mascarada, fruto de acordos internos, ela tem por base intervir no sistema.
Quanto as práticas, todas as ações da escola estão no currículo, desde o momento que se entra na escola, já se faz uso deste currículo. Aqui ficam registrados/impregnadas  diversas experiencias dos profissionais, da equipe e o foco é desenvolver as potencialidades do educando. Lembrando que tudo deve ser valorizado no aluno, as vezes a cobrança é pontual e ele deve ser visto em sua totalidade.
A comunidade precisa ser uma comunidade aprendente.
Os profissionais precisam ser parceiros e é importante respeitar as diversidades. Todos nós temos nossa identidade própria e isto precisa ser considerado.
Quanto aos resultados o autor discorre sobre a qualidade social, calcada na boa  formação do educando, isto faz com que  todos se beneficiam. A escola deve contribuir com o mundo do trabalho para que com a formação ele tenha e saiba fazer escolhas, trabalhando a ética e a cidadania, preparando-o para o convívio social, formando sujeitos conscientes, humanizados e além do que , essa formação promove o duplo vínculo onde se ensina e se aprende.
Quanto as ações públicas para que se efetivem, pois a lei assim determina, só acontece quando há posicionamentos e fortes cobranças frente a estas determinadas/ações , participação efetiva, assim sendo , há resultados positivos.

E a colaboração tem por base o trabalho coletivo.
Portanto o autor fala de ações efetivas, a busca constante por resultados daquilo que se espera, que se quer, que se tem por direito e a colaboração, a força que se tem no trabalho em equipe.

Definição e Seleção de Competências, denominada de DESECO, define competência como mais do que conhecimentos e habilidades, envolve a capacidade de atender as demandas complexas, por meio da identificação e mobilização de recursos psicossociais em um determinado contexto.

Por Bernardo Toro, competências são objetivos da Educação Básica que acontece por meio do domínio da leitura,; escrita; cálculos; interpretações; criatividade; socialização, etc.

Para DESECO, competências é saber fazer uso das tecnologias , é ter a capacidade de interagir com as pessoas e grupos de diferentes culturas, é saber gerir conflitos, é saber cooperar, é saber agir de modo autônomo e responsável,  é saber fazer valer seus direitos, é saber planejar e saber decidir.
Portanto, o aprendizado na escola deve estar pautado na análise,na compreensão,  na criação e na aplicação.  E estes questionamentos apontam para o processo de socialização, ou seja, aos 4 pilares da Educação que são: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos; aprender a ser. Dimensões indispensáveis e inseparáveis.

Na visão de Boaventura Santos, é importante afirmar a igualdade sempre que a diferença a inferioriza, e afirmar a diferença, sempre que a igualdade se  descaracteriza. Pois a ideia de igualdade cabe apenas naquilo que é universal e comum a todos, a igualdade de direitos inerente a todo e qualquer ser humano, em qualquer circunstância, o direito à vida,  à liberdade e, o direito de aprender o que é de todos.

Assim sendo, equidade refere-se a correção ética e a justiça no modo de se julgar e tratar toda e qualquer pessoa, aqui entra as políticas públicas, considerando-os nos seus direitos universais, e ao mesmo tempo, nos seus direitos mais diferenciados.

Daí a LDB apresentar um currículo com base nacional comum,

Avaliação e Currículo, legitimidade e responsabilidade , dimensão política pedagógica.  tendo por finalidade não um julgamento de valor, classificatório  à medida que se estabelece um currículo, também se estabelecem as diretrizes que vão ser tomadas tendo como perspectiva levar o aluno a uma progressiva aprendizagem, levando em consideração o que esse aluno já sabe, o que foi construído e o que precisa ser construído.

Avalia-se para a aprendizagem , dentro de uma dimensão formativa e uma perspectiva de futuro. Essa avaliação pressupõe diálogo, reflexão sobre o processo, responsabilidades tanto do aluno quanto do professor, fornecendo informações de como o aluno está aprendendo, acompanhando o processo cognitivo, possibilitando ajustes, com um olhar atento sobre cada sujeito, a avaliação se torna um registro com vistas a planejar o futuro, a voltar um pouco, analisar as ações, os resultados, reconhecendo as diferenças de formação. Ser co-responsável pelo processo de ensino-aprendizagem, orientando o aluno, possibilitando redirecionamento do processo, considerando que se aprende numa rede de relações e é importante considerar que o trabalho deve ser condizente que a postura do professor em sala de aula. Ele fala e ele faz. 

Avaliação como possibilidade de transformação voltada para a autonomia.
O primeiro movimento significativo em relação à Escola Tradicional deu-se no início do século XX - o movimento da educação progressista. Ocorrido nos Estados Unidos da América e na Europa por meio do movimento de renovação pedagógica, conhecido por Escola Nova expõe fortemente o pensamento de John Dewey.

Segundo Dewey, a criança deve ser o centro da educação e, logo, seu desenvolvimento o guia para toda a organização de experiências educacionais a ela proporcionadas. Experiências estas organizadas de forma democrática, inseridas em uma sociedade que assim pretende ser.
O desejo é o de potencializar as qualidades de interação e continuidade.

A escola, portanto, é um dos locais de fortalecimento de inter-relações, que familiariza os educandos às características fundamentais do que venha a ser uma sociedade democrática, sendo as experiências escolares as que permitem aprender que elas próprias são um processo social, interativo.

O cuidado está em organizar experiências que venham a satisfazer os educandos e suas necessidades individuais e as ligadas à sua atuação em grupo. Portanto, o conhecimento não pode ser entendido como uma contemplação sem finalidade.

O ambiente é pensado e organizado para proporcionar experiências que permitam aos alunos crescerem e não o seu contrário, uma forma de participação efetiva, onde novas situações são apresentadas não de modo rígido nem fixo, mas parte de um processo de tentativa e erro, que valoriza o esforço individual para encontrar sentido em um corpo de conhecimentos socialmente transmitido. Nesta concepção, que considera que conhecer implica a reconstrução da experiência, os educandos são ativos.

Avaliá-los significa a necessidade de analisar o trabalho desenvolvido pelas escolas, se esta cumpre o seu papel que é o de formar qualidades essenciais ao desenvolvimento de uma cidadania democrática - ou seja, formar pessoas cooperativas, criativas, perseverantes, que arriscam e são confiáveis, entre outras. Múltiplas formas de avaliação são necessárias, bem como o papel desempenhado pelo educador neste momento, pois ele é considerado aquele que conhece o educando, sendo a autoridade para partilhar as evidências da aprendizagem com o próprio, com a família e com a comunidade. 

Evidenciar a aprendizagem na educação progressiva ocorre por meio da documentação da mesma, que se faz pela observação, pelo registro, pela interpretação e pelo compartilhamento - um conceito de prestação de contas. Este conceito implica que educandos e seus educadores observem o que realizaram, comparando com os objetivos propostos, revistando o que foi feito e refletindo sobre como manter e modificar a experiência vivida, em um processo que permite estreitar os laços entre eles e aprender a aprender.

Prestar contas também permite a constituição de uma identidade coletiva, do fortalecimento de uma comunidade de aprendizagem. Nesse processo, o uso de portfólios é muito utilizado como um dos meios em mostras de resultados de aprendizagem para toda a comunidade. A avaliação apresenta o papel de evidenciar padrões de sucesso, possibilitando uma exposição e uma crítica públicas.


Os preceitos e a influência da educação progressista perdurou na sociedade norte-americana até aos anos 70 do século passado. A partir da década de 80, fragilidades na competitividade econômica do país abriram espaço para o questionamento da educação progressiva, por esta ser associada por muitos a uma abordagem educativa menos rigorosa, que desautoriza os adultos. Uma agenda mais tradicional em termos de educação inicia-se por meio de ofensivas da opinião pública.
As exemplificações postas no texto anteriormente, por meio da citação de autores que acreditaram em uma educação contrária a prática tradicional de avaliação foi importante para esclarecer que não há simplicidade nesse processo. Estudar sobre e perceber se nosso desejo encontra-se em realizar um modo de fazer a avaliação diferente foi o objetivo, uma vez que é preciso questionar as concepções que estão no cotidiano pedagógico e ver possibilidades deste ser outro.
O processo de não questionar a relação saber-poder posto no ato avaliativo fornece ao mesmo a certeza de sua reprodução, da consolidação da prática de examinar e medir. E mesmo considerar a experiência reflexiva importante não é suficiente para uma educação emancipatória realizar-se.
A prática avaliativa na escola só será mediadora quando a reflexão superar pensamentos pragmáticos, próprios da nossa sociedade industrializada, que modela os ramos da cultura segundo os ditames da produção, e que não proporciona a contradição. Por isso, o modelo de transmissão, seguido da verificação e do registro deve ser constantemente oposto, pois este paradigma é muito forte, consolidado.
Então, pensar em avaliação mediadora é refletir que a própria deve ser compreendida como uma prática que se encontra limitada pela organização da escola. Ela ainda se encontra configurada em torno de uma obtenção de nota, de um resultado objetivo. Percebê-la como uma tarefa complexa que não se resume a realização de provas e atribuição de notas é o primeiro passo para modificar a percepção do que é avaliar.
A escola deve estar vinculada à vida, ao mundo, à comunidade. A escola deve desafiar-se, questionar o senso comum e enxergar-se, por mais que tenha limites, como uma instituição que pesquisa e que aprende.
Para as escola novistas, avaliar significa a necessidade de analisar o trabalho desenvolvido pelas escolas, se esta cumpre o seu papel, que é o de formar qualidades essenciais ao desenvolvimento de uma cidadania democrática - ou seja, formar pessoas cooperativas, criativas, perseverantes, que arriscam, que são confiáveis, entre outras.
Para os humanistas, avaliar é respeitar e valorizar a capacidade de escolha de cada educando, uma premissa, uma vez que estão preocupados em vivenciar uma escola onde os educandos sejam mais livres de regras estabelecidas, sendo respeitados como partícipes.
Para os libertadores, avaliar é emancipar, uma atitude política realizada em comunhão, uma vez que ninguém educa ninguém. A avaliação é realizada por meio do diálogo, pois considera o conhecimento como sendo construído nesta relação. Não há como avaliar sem estar envolto em um processo de investigação e de participação, em uma prática de esforço, problematizadora, crítica, onde avaliador e avaliado não se polarizem, mas interpretem um ao outro, enriquecendo a prática e a si mesmos.
Vygotsky demonstra que avaliar é compreender se o educando está desenvolvendo ou desenvolveu capacidades de utilizar o que aprendeu - como algo que enriquece o seu pensamento e que possibilita adentrar à sua cultura.
Adorno preocupa-se com uma avaliação que contribua para que todos os indivíduos tenham o maior número de possibilidades de saber sobre o conhecimento acumulado, que é patrimônio da humanidade, pois este lhe dará a possibilidade de romper sentimentos de inferioridade, de submissão e de pensar por conta própria.
Assim, a avaliação mediadora é aquela que ocorre na relação sujeito e objeto para que o sujeito adquira conhecimento. Mas, o sujeito aqui não é só o educando. O sujeito são ambos.
Ação-reflexão-ação. A avaliação é construída na ação e na reflexão sobre esta, mas não termina por aí, exige uma nova ação e assim continua. O diálogo é que enriquece as possibilidades de agir, pensar e operar o pensado, aprimorar e constantemente enriquecer objeto de conhecimento e o sujeito.
A avaliação mediadora caracteriza-se pelo cuidado de não fazer do resultado avaliativo uma identificação com um coletivo naturalizado. E sim, questionar ideais padronizados de conduta, perceber o diferente, perguntar, ouvir, refletir em conjunto, estudar teorias, formular hipóteses, investigar, errar, refazer, registrar, transformar.