DITOS POPULARES

 

PROVÉRBIOS

Os ditados populares, também chamados de provérbios , atravessam gerações e passam por nós, todos os dias e  durante anos a fio.

São expressões que muitas vezes repetimos sem sequer percebermos aquilo que significam.

FONTE  : www.culturagenial.com/ditados-populares-e-seus-significados

Levantei esta pesquisa a fim de ampliar meu repertório e ou conhecimento quanto as inúmeras metáforas de que fazemos uso , no nosso dia a dia e que muitas vezes passam despercebidas. 

E considerando que essas pequenas frases fazem parte da tradição oral da sabedoria popular e sintetizam ideias sobre a convivência em sociedade, trazendo muitas vezes,  conselhos valiosos a respeito das relações humanas, sejam no dia a dia entre as famílias, entre pessoas do ambiente de trabalho ou entre amigos, num bate papo descontraído.


1. Rodar à baiana

Um dito popular onde se quer dizer, brigar, trazer confusão para determinado ambiente .


2. Gato escaldado tem medo de água fria

O ditado acima tem muito a ver com memória e com cuidar de si próprio. Quem se magoa com algo passa a temer qualquer sinal daquilo que o magoou, trata-se de um gesto saudável e instintivo de auto-proteção.

A imagem do gato é usada como metáfora, pois se sabe que o felino, em geral, tem pavor de água. Dessa forma, aqueles que já sofreram com o contato com a água quente (gato escaldado), fogem rápido de qualquer contato com a água novamente (mesmo se estiver fria). 


3. Cavalo dado não se olha os dentes

Essa sabedoria popular diz respeito à reação que se deve ter quando se ganha um presente. O provérbio orienta a não desdenhar ou falar mal de algo que se recebeu - ainda que o presenteado não goste muito da oferta.

A expressão está relacionada a dentição dos cavalos, pois é possível reconhecer os animais novos (e mais “úteis”) a partir da observação da arcada dentária. Entretanto, se o animal é um presente, não se deve olhar os dentes, pois constrangeria a pessoa que fez a doação.


4. De médico e de louco todo mundo tem um pouco

A expressão valoriza a capacidade humana de se adaptar a situações incomuns de forma inteligente ou criativa.

O médico é uma figura de autoridade na nossa sociedade e sabe lidar com problemas importantes de saúde. Muitas vezes, pessoas comuns conseguem resolver questões complicadas sem o auxílio de profissionais. Da mesma forma, o louco é visto como um ser impulsivo, mas também muito criativo, características presentes na maioria das pessoas em maior ou menor grau.


5. Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe

Esse ditado nos traz a noção de impermanência.

Existem momentos em que algo de muito ruim acontece e o sentimento que fica é de que “a vida acabou”. É nessas horas que essa frase pode ser usada, nos lembrando que as situações são passageiras. Da mesma forma, quando um acontecimento muito bom ocorre, não podemos esquecer que um dia aquela boa fase vai passar. Assim são os altos e baixos que todas as pessoas passam em sua existência.


6. Águas passadas não movem moinho

Aqui, a mensagem é sobre a necessidade de desapegar de situações passadas.

Ao dizer que “águas passadas não movem moinhos”, a pessoa nos fala que aquelas águas que um diz já moveram a engrenagem de um moinho, hoje já não têm mais o mesmo poder, pois já passou o tempo, e as coisas se transformaram.

O ditado é muito usado quando alguém ainda está muito ligado emocionalmente a um momento de sua vida.


7. Antes só do que mal acompanhado

Muitas vezes as pessoas se envolvem em amizades ou relacionamentos amorosos apenas para camuflar sua solidão, acreditando que a companhia do outro irá preencher seus vazios e angústias.

Entretanto, dependendo da pessoa que se tem ao lado, é preferível estar sozinho, pois a companhia pode não ser agradável, ou até mesmo abusiva.

Esse ditado reforça a ideia de que devemos ter sabedoria para lidar com nossa própria companhia, pois muitas vezes o outro piora nossa experiência no mundo.


8. Filho de peixe, peixinho é

O ditado "Filho de peixe, peixinho é" indica que somos semelhantes aos nossos pais.

A frase reforça o quanto carregamos características parecidas com os nossos genitores. O provérbio é muito utilizado quando, por exemplo, pai e filho têm a mesma profissão, ou quando se assemelham em temperamento ou índole.


9. A corda sempre arrebenta do lado mais fraco

O provérbio em questão demonstra, através de uma metáfora que sempre o lado mais vulnerável nas relações sofrerá as consequências em alguma situação que deu errado.

Esse lado mais “fraco” é normalmente composto por pessoas mais pobres ou por empregados em relações de trabalho.


10. O pior cego é o que não quer ver

Quando uma pessoa está muito envolvida em um acontecimento ou em um contexto, ela pode cair no erro de não enxergar as coisas de maneira racional.

Muitas vezes existe uma situação óbvia ocorrendo, mas a pessoa não consegue ter discernimento para compreender. É nessas horas que o ditado é utilizado, evidenciando aquelas ocasiões onde preferimos nos enganar e não perceber a realidade como ela se apresenta.


11. Mente vazia, oficina do diabo

Esse é um provérbio que alerta sobre a importância de termos uma ocupação, seja um trabalho, um hobbie ou qualquer atividade que preencha nossos dias e nossa rotina. Isso porque quando estamos há muito tempo sem pensar em algo prático, a possibilidade de desenvolvermos pensamentos danosos é grande. Além disso, essa falta de ocupação também dá margem para ideias ruins, em que as consequências podem ser desagradáveis.


12. Quem semeia vento, colhe tempestade

A frase é dita quando alguém está passando por uma situação difícil em consequência de suas ações.

Assim, ela transmite a ideia de que quando uma pessoa tem atitudes ruins, provavelmente ela terá que arcar com as complicações decorrentes de tais atos.


13. Cada macaco no seu galho

Essa é uma expressão que orienta o ouvinte a ocupar seu espaço sem invadir o do outro.

A pequena frase pode significar: não se intrometa onde não é chamado, ocupe-se apenas com aquilo que lhe diz respeito. Ao mesmo tempo, pode ter o sentido de que cada indivíduo tem interesses, habilidades e competências para determinadas ocupações, e que somos igualmente importantes, cada um dentro do seu contexto.


14. Pimenta nos olhos dos outros é refresco

A frase nos alerta sobre a importância de se desenvolver a empatia. Ela evidencia a falta de preocupação de muitas pessoas frente aos problemas que os outros enfrentam, pois sugere que quando a dificuldade não é sentida na pele, pode passar como algo corriqueiro e sem gravidade.


15. Em terra de cego quem tem um olho é rei

O provérbio diz sobre a valorização de pessoas medíocres quando estão rodeadas de gente ignorante.

Nos faz pensar que tudo é relativo. Em um grupo de pessoas que têm um pensamento alienado da realidade, não conseguindo enxergar o óbvio, quando surge um sujeito que é capaz de fazer uma leitura razoável da situação, ele pode ser colocado em uma posição de liderança ou prestígio.


16. É dando que se recebe

O provérbio acima trata da generosidade e orienta o ouvinte a entregar algo para poder receber. A ideia é fazer algo pelo outro para, então, poder mais tarde receber alguma coisa em troca.

A frase tem origem religiosa e faz parte da oração de São Francisco de Assis: 

"É dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive para a vida eterna."


17. Quem com ferro fere, com ferro será ferido

Esse ditado fala sobre a troca nas relações humanas. Quem entrega o bem, recebe o bem; quem, por sua vez, pratica o mal, recebe o mal. O conceito que vigora é o da reciprocidade. O provérbio está relacionado à noção de carma (o que fazemos pelos outros voltará para nós algum dia).


18. Saco vazio não para em pé

O ditado se refere à importância da alimentação para uma pessoa permanecer forte e saudável.

Muitas vezes a frase é dita quando alguém se recusa a comer, seja porque está triste, com pressa, ou fazendo dieta.

Então o alerta vem de forma simbólica, dizendo que a pessoa precisa se alimentar para que tenha energia e continue de pé realizando suas tarefas diárias.


19. Uma andorinha sozinha não faz verão

Aqui, a sabedoria popular nos traz o conceito de coletividade. Observando a natureza, especificamente a migração das andorinhas nas estações do ano, vê-se que elas voam em bando, pois assim garantem a proteção de predadores e viajam em companhia.

Portanto, o voo desses pássaros pode sinalizar a chegada do verão em alguns lugares, mas apenas uma andorinha voando no céu não significa que a migração sazonal está em processo. Da mesma forma, se uma pessoa sozinha se esforça para alcançar um objetivo coletivo, provavelmente ela não terá sucesso, mas se muitas pessoas se juntam e agem em conjunto, a possibilidade de alcançar o propósito é maior.


20. Quem não é visto, não é lembrado

Para que as pessoas se lembrem de nós, principalmente de nosso trabalho e talentos, é necessário que estejamos sempre em contato com elas. A frase tem a intenção de nos lembrar que é preciso manter boas relações com outras pessoas, mostrar nossos dons, estar nos ambientes para que sejamos lembrados e indicados para contatos profissionais.


21. Onde há fumaça há fogo

A frase carrega a ideia de que precisamos ficar atentos aos sinais e confiar em nossa intuição. Assim, se há algum indício de que algo não vai bem, é bom investigar, pois, geralmente há um problema maior.


22. A pressa é inimiga da perfeição

"A pressa é inimiga da perfeição" quer dizer que quando estamos afobados, dificilmente conseguiremos fazer um bom trabalho.

A ansiedade de resolver logo o problema permite que muitos erros não sejam observados, o que compromete o resultado.


23. O que os olhos não veem, o coração não sente

Nessa oração, a ideia transmitida é a de que quando não sabemos, ou não vemos, algo desagradável, a intensidade do sofrimento é menor. Isso porque é mais fácil assimilar a situação quando não nos deparamos com uma cena que nos afeta emocionalmente.

O ditado apresenta uma linguagem poética, pois relaciona órgãos do corpo com sentimentos, integrando aspectos corporais e psíquicos.


24. Para bom entendedor meia palavra basta

Esse provérbio evidencia a capacidade de compreensão de uma ideia através de poucas palavras.

Sabe-se que não existe na gramática “meia palavra”, mas na frase isso quer dizer que mesmo quando as coisas são ditas superficialmente, se a pessoa que escuta for sagaz, ela consegue captar a mensagem transmitida.


25. Amigos, amigos, negócios à parte

No ditado, o que fica claro é a necessidade de não se misturar negócios com amizades.

Isso porque, justamente pelo grau de intimidade, pode ocorrer algum desentendimento entre pessoas que se gostam, mas que não entram em acordo, devido ao envolvimento de dinheiro na situação.


26. Não julgue um livro pela capa

Essa é uma expressão que transmite a ideia de que não se pode julgar as pessoas pela aparência.

Existem livros com conteúdos muito valiosos que apresentam capas pouco atrativas. Da mesma maneira, há pessoas interessantes que não se encaixam em um padrão de beleza, mas se dermos uma chance de conhecê-las melhor podemos nos surpreender.


27. Quem ama o feio, bonito lhe parece

Esse provérbio traz como significado a noção de que a beleza é muito relativa.

Quando existe amor ou um sentimento muito forte de estima em relação a outra pessoa, ela passa a ser bela aos olhos do amado, mesmo que não siga os padrões de beleza.


28. Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje

É muito comum que as pessoas deixem para fazer coisas importantes na última hora, seja no trabalho ou na vida pessoal. Isso acontece devido a muito fatores, como a ansiedade que paralisa ou a preguiça.

Então, foi criado esse provérbio que nos avisa sobre o dever de realizar as coisas sem procrastinar, ou seja, sem adiar, deixando para mais tarde.


29. Não se faz um omelete sem quebrar os ovos

A frase transmite a noção de que para conseguirmos algo, muitas vezes é preciso desfazer outra coisa, desmanchar sua forma original para dar outro significado, e assim usufruir de algo melhor.


30. De grão em grão, a galinha enche o papo

O ditado acima é muito utilizado quando se deseja poupar. A mensagem transmitida é que quando economizamos pouco, mas constantemente, conseguimos alcançar aquilo que desejamos, mesmo se o objetivo final pareça ser impossível


31. Devagar se vai longe

Esse ditado é bastante parecido com o "De grão em grão, a galinha enche o papo", embora o último seja mais utilizado no sentido financeiro e o primeiro tenha um significado mais amplo.

"Devagar se vai longe" fala da importância de persistir nos seus ideais e continuar caminhando, ainda que seja a passos lentos.


32. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura

O provérbio trata da persistência e da constância, transmitindo para o ouvinte a noção de que, apesar das dificuldades, é preciso insistir para se alcançar um objetivo.

A ideia transmitida pelo ditado é antiga, o autor latino Ovídio (43 a.C.-18 d.C) já havia escrito em um dos seus poemas: A água mole cava a pedra dura.


33. Cão que ladra não morde

Esse é um ditado popular que nos tranquiliza diante de situações em que alguém tem uma comunicação violenta, fazendo muito alarde, ameaçando e gritando, mas no final das contas não realiza as ações que disse que faria.

Pode também ser usado em situações mais pacíficas, apenas para dizer que uma pessoa que anunciou que faria algo, na verdade sempre fala mais não faz.


34. Quem não tem cão, caça com gato

Esse é um exemplo de expressão que com o tempo foi alterada na maneira de escrever.

A princípio, a forma correta era “Quem não tem cão, caça como gato”, ou seja, se você não tem um cachorro para te ajudar na caçada, o melhor é caçar como um gato, de maneira discreta, com estratégia e inteligência. Isso quer dizer que devemos nos adaptar às mudanças e encontrar alternativas de ir em busca de nossos objetivos na vida.



35. Mentira tem perna curta

A máxima, como também é conhecido o ditado popular, quer dizer que quem mente não costuma chegar longe com a falsidade. Isso porque, assim como as pessoas que tem pernas curtas não conseguem caminhar longas distâncias, o mentiroso pode acabar se “enrolando” na própria mentira, e acabar por revelar sua farsa sem querer.

A origem do ditado parece ser europeia, pois em italiano há também um provérbio que diz: “le bugie hanno le gambe corte”, que traduzindo fica “as mentiras têm as pernas curtas”.


36. Quem fala demais dá bom dia a cavalo

Existem pessoas que são muito faladeiras, seja porque falam em demasia, ou porque falam o que não devem. Esse provérbio nos alerta sobre a importância de prestar atenção à maneira como nos comunicamos, pois pode ser que acabemos “dando bom dia a cavalo”, ou seja, falando com pessoas que não nos escutam, ou passando a impressão de que não estamos no nosso melhor juízo.


37. Dê sal primeiro às vacas gordas

Significa que é aconselhável investir primeiramente no que está indo bem em nossa vida, seja um projeto ou um talento, pois se assim garantimos que nossos esforços não serão em vão. Esse dito popular não é muito conhecido para a grande parte das pessoas, mas tem origem na sabedoria do povo da roça.

Como o sal é um suplemento importante para o gado, pois esse animal tem necessidade de consumir sais minerais como o cloreto de sódio para manter a saúde, os fazendeiros costumam alimentar primeiro as vacas gordas com o sal, para garantir seu sustento, e depois as vacas que estão com a saúde mais comprometida.


38. Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão

Existem ditados que usam metáforas para fazer comparações com situações reais, e existem aqueles que dizem de maneira bastante direta o seu objetivo. Essa é uma dessas frases mais certeiras. Quer dizer que quando uma pessoa se apossa de algo que já foi roubado, ela não pode ser declarada culpada, pois apesar de ter cometido um delito, fez exatamente a mesma coisa que o outro sujeito.


39. Não grite a sua felicidade, pois a inveja tem sono leve

Aqui, a orientação é de que não é aconselhável vangloriar-se e dizer a todos a intensidade de sua felicidade, suas conquistas e realizações, pois muitas vezes existem pessoas (mesmo próximas) que podem se sentir invejosas e acabar por te prejudicar.


40. A cobra vai fumar

Essa é uma expressão que tem um tom de ameaça e é usada quando alguém pretende alertar outra pessoa que se algo improvável acontecer, ocorrerão sérias consequências. 

Por exemplo: “Se alguém comer o doce que estou guardando para mais tarde, a cobra vai fumar”.

A frase tem origem na Segunda Guerra, quando soldados brasileiros foram mandados para o conflito, contrariando muitas pessoas que diziam que “era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra”. Assim, mais tarde, a FEB (Força Expedicionária Brasileira) incorporou a imagem de uma cobra fumando como símbolo.


41. Quem canta seus males espanta

O ditado nos aconselha a inserir a música (e a arte de maneira geral) em nossa vida e cotidiano, pois através do canto é possível alcançar maior estabilidade emocional, afastando os problemas de nosso pensamento. Portanto, segundo o ditado, as pessoas que costumam cantar são mais felizes.


42. O barato sai caro

Muitas vezes, acabamos comprando alguma coisa pensando apenas no preço, sem levar em conta a qualidade do produto. Por conta disso, pode ocorrer de tal objeto dar algum defeito e ser necessário comprar outro, gastando mais do que o planejado. Então, quando queremos alertar alguém de que é preciso verificar o “custo-benefício” de alguma coisa, dizemos que “o barato sai caro”.


43. Nem tudo o que reluz é ouro

Essa é uma frase que nos adverte sobre a falsa ideia que podemos ter diante de alguma coisa ou situação que parece ser muito boa. Entretanto, essa situação pode revelar-se menos valiosa do que o primeiro julgamento que fizemos. Assim, um outro ditado que poderia ser usado nesse caso é “As aparências enganam”.


44. Cada um sabe onde lhe aperta o sapato

O conceito por trás dessa sentença nos estimula a praticar a compreensão acerca dos problemas dos outros. Muitas vezes, algo que para nós parece ser de fácil resolução, ou uma coisa sem importância, para outra pessoa pode ser muito complicado. Assim, devemos entender que cada pessoa sabe quais são seus pontos fracos e vulnerabilidades.


45. Roupa suja se lava em casa

A frase sugere que os problemas de uma família devem ser resolvidos entre quatro paredes. Dessa forma, o provérbio nos orienta que devemos ser discretos ao resolver impasses, contratempos e perturbações familiares para que desconhecidos não saibam do que se passa em nossa vida privada.


46. Diga-me com quem andas e lhe direi quem és

A expressão quer dizer que é possível conhecer o caráter de uma pessoa quando se observa as suas amizades e companhias. Sugere que pessoas que convivem intensamente acabam se tornado muito parecidas, ou que pessoas com características similares têm a tendência a se aproximar e desenvolver uma amizade.


47. Muita trovoada é sinal de pouca chuva

Esse provérbio se assemelha ao “cão que ladra não morde”, e pode ser usado nas mesmas situações.

Quer dizer que quando há muito alarde em torno de uma questão, normalmente as consequências não são tão graves.


48. Deus escreve certo por linhas tortas

Quando se diz que “Deus escreve certo por linhas tortas”, a intenção é de acalmar alguém que está passando por uma situação aparentemente complicada e difícil, mas que com o tempo pode se revelar uma “bênção ou "livramento".

Assim, pode ser que estejamos vivendo um momento em que as coisas parecem estar “fora dos eixos”, mas devemos confiar na providência divina, sabendo que a imprevisibilidade faz parte da existência.


49. Não adianta chorar o leite derramado

A frase nos diz: não adianta se lamentar pelo que já aconteceu. Não vale a pena remoer sentimentos, sentir culpa ou raiva por coisas que ficaram no passado. Assim, é preferível cultivar o desapego e partir para um novo capítulo da vida do que ficar preso a acontecimentos que já não temos como mudar.

Há uma teoria de que o provérbio tenha origem na vida camponesa, na qual mulheres costumavam levar latas de leite na cabeça. Assim, em um eventual descuido e tropeço, se o leite fosse ao chão, não adiantaria chorar pelo alimento perdido.


50. Quem casa quer casa

Essa máxima é dita quando jovens casais se casam e permanecem morando na casa dos pais de um deles.

Normalmente, quando isso acontece, mesmo que a relação seja harmoniosa no começo, podem ocorrer desentendimentos e interferências por parte dos pais/sogros. Então, se usa a expressão para dizer que é o ideal é que a vida em matrimônio seja construída em um local totalmente novo, com privacidade e liberdade para os recém-casados.


51. A união faz a força

A pequena frase nos diz que quando um grupo de pessoas se junta com um mesmo propósito, surge uma grande força que pode trazer mudanças significativas em torno de uma situação. Assim, o dito popular incentiva as pessoas a cultivarem o espírito de equipe e coletividade.


52. Quem ri por último, ri melhor

Não se deve contar vantagem antes do tempo ou se vangloriar de estar em uma posição “superior” a outra pessoa. Pois, segundo o dito, quem está “por último” pode conseguir inverter a situação e acabar se beneficiando mais do que seu adversário.


53. Um dia é da caça, outro do caçador

O ditado é comumente usado para levar conforto às pessoas que vivenciam uma experiência ruim. 

É uma maneira de nos lembrarmos que a vida é cíclica e que um dia quem te fez o mal pode estar numa pior, enquanto você colhe benefícios.


54. Não adianta tapar o sol com a peneira

Aqui, o ensinamento é sobre a necessidade de olharmos as coisas, as pessoas e as situações de maneira direta e sem ilusões. 

Não convém tentarmos disfarçar o que está evidente, pois, assim como uma peneira não consegue impedir que a luz do sol passe, muitas vezes é improdutivo o nosso esforço em fazer algo parecer o que não é.


55. Quem fala o que quer, ouve o que não quer

O provérbio nos alerta também para questões relacionadas à comunicação. Aqui, o conselho é claro: não fale tudo o que vem à sua mente, pois você pode ofender os outros e escutar como resposta coisas que também são desagradáveis. Portanto, devemos ser cuidadosos no diálogo.


56. Falar é prata, calar é ouro

O ouro e a prata são materiais presentes na natureza e têm grande valor monetário. Entretanto, o ouro é bem mais raro e valioso. 

O ditado nos diz que apesar de a comunicação ser muito útil, muitas vezes é mais apropriado nos calarmos do que corrermos o risco de dizer alguma bobagem.


57. Quem tem pressa come cru

A frase nos alerta que é necessário dar “tempo ao tempo”, exercitando a paciência para que as coisas ocorram da melhor maneira, pois, do contrário, podemos colocar tudo a perder por conta da pressa e da ansiedade. 

É como um bolo ou um pão, que precisa de um tempo específico para assar, se tiramos no forno antes de estar pronto, comeremos a massa crua.


58. Um homem prevenido vale por dois

Já esse provérbio explica sobre a importância de sermos precavidos.

É usado, por exemplo, quando alguém está numa situação de viagem, ou em um lugar distante, e ao se deparar com uma situação difícil, um “sufoco”, se lembra de que tem em seus pertences um objeto que será muito útil.


59. Salvo pelo gongo

Esse ditado é usado para dizer que uma pessoa foi “salva” de uma situação difícil por meio de uma providência externa. 

Há quem diga que a expressão é originada no receio que se tinha de ser enterrado vivo antigamente, o que teria levado à instalação de sinos nos túmulos, com uma corda para que a pessoa tocasse caso precisasse. Entretanto, é mais provável que a frase faça referência às lutas de boxe, quando um lutador está derrotado, não aguentando mais continuar o confronto, e é dado o sinal de que o round terminou.


60. Onde Judas perdeu as botas

O provérbio é falado para denominar um lugar muito distante e incerto. O Judas em questão é Judas Iscariotes, o discípulo que traiu Jesus. 

Segundo a bíblia, o apóstolo suicidou-se e foi encontrado sem sapatos, enforcado em uma árvore. Seus calçados nunca foram localizados e há especulações de que o ditado surgiu daí.


61. Olho por olho, dente por dente

Essa frase carrega como significado o desejo de vingança. É dita quando alguém está muito revoltado por conta de uma maldade cometida por outra pessoa e tem o intuito de “pagar na mesma moeda”.

Assim, o mesmo mal que foi causado deve ser devolvido em igual proporção.


62. Quem não chora, não mama

Esse ditado faz referência ao choro dos bebês, que quando estão com fome precisam chorar para comunicar à mãe a necessidade de alimento. Dessa forma, a mulher pode oferecer o seio e amamentar seu filho. Da mesma maneira, os adultos às vezes precisam se comunicar, insistir e “chorar” para ter suas necessidades atendidas.


63. Quem muito se ausenta uma hora deixa de fazer falta

Aqui, a ideia é a de que a pessoa que não dá atenção aos amigos, no início pode fazer falta, mas com o tempo passa a não ser mais lembrada. Isso porque temos a tendência a nos acostumarmos com as situações.


64. A esperança é a última que morre

Esse ditado nos fala sobre fé. A esperança é o sentimento de que, mesmo quando as coisas não vão bem, temos a crença de que com tempo tudo será melhor. Por isso, há pessoas que nunca perdem a esperança.


65. Cada cabeça uma sentença

As pessoas tem maneira diferentes de compreender o mundo e de se relacionar com os outros. Assim, esse ditado surge como um forma de enfatizar que os valores de cada um são únicos.


66. Depois da tempestade vem a bonança

Muitas vezes estamos em situações muito ruins, onde parece que a nossa vida é uma grande tormenta, uma violenta tempestade. Mas, ao observar a natureza, vemos que depois de uma chuva forte, as nuvens se dissipam e o céu novamente fica límpido. Assim acontece na vida, depois de um evento ruim, um tempo bom pode começar.


67. Em boca fechada, não entra mosca

A frase nos alerta para tomarmos cuidado com as palavras e não falarmos bobagem. Quem deixa de falar besteira, deixa também de fazer papel de bobo.


68. Faça o que eu digo, não faça o que eu faço

O provérbio é usado quando queremos dizer para as pessoas seguirem nossos conselhos, mas que nem por isso nós mesmos fazemos o que dizemos.


69. Melhor prevenir que remediar

A ideia é a de que é sempre melhor tomar cuidado, evitando se machucar (em todos os sentidos) do que precisar tomar remédio. Ou seja, o ditado passa a noção de cautela e prevenção.


70. Deixa como está para ver como é que fica

O melhor é aguardar, dar tempo ao tempo para que tudo se acomode da melhor maneira.


71-  Vive no mundo da lua

Fala-se de uma pessoa que está sempre muito distraída, envolta em seus pensamentos.


72-  Firme como um prego na areia

Esta frase é usada para se responder a seguinte  pergunta : Como você está? E a pessoa , não estando muito bem, responde usando a metáfora do prego na areia, ou seja, mais ou menos bem.


73- Esse  morde e assopra

Diz-se da pessoa maldosas, instáveis, com dupla personalidade , em que ora agride, ora acalenta . Tem prazer em ver o sofrimento alheio. 


74-  O barato é loco

Seria o mesmo que dizer que a situação é bem difícil. Complicada!


75- Ora que melhora

Uma demonstração de que a fé e a busca faz com as coisas aconteçam.


76- Essa Coca é Fanta

Essa pessoa não é o que tenta demonstrar. Ela esconde algo.


77- Mas vale um na mão que dois voando

É melhor se garantir com o que você ja tem do que se arriscar e correr o risco de perder os dois, o que tem o o que se quer pra si e está se colocando em risco para conseguir.


78- Para um bom entendedor, meia palavra basta

Situações em que o receptor provoca ou instiga em demasia para obter tal informação e ou resposta e o locutor não quer se estender no assunto. Não preciso falar muito, se é que me entende.


79- Vamos deixar como está para ver como é que fica

Quando não se quer estender, prolongar o assunto.


80- Essa criança é da pá virada

Essa criança é difícil de lidar. Aquela que não se sujeita a ninguém.


81- Beleza não se põe a mesa

Seria o mesmo que dizer que conceito de beleza, não se mede. Cada pessoa tem o seu.


82- Vou fazer vista grossa

Vou fazer de conta que não estou vendo o que está sendo feito de errado.


83- Fulano meteu o loco

A pessoa está desequilibrada. Fora de si.


84- Esse Pitbull é Lassie

É uma forma de dizer que tal pessoa esconde algo ou não é o que esta aparentando ser.


85 - Está me tirano

Fala-se de alguém que está de alguma forma fazendo chacota com alguém.


86- Me engana que eu gosto

Fala-se de alguma pessoa que está tentando mentir  e ou esconder alguma informação importante.


87- Há uma luz no fim do túnel

Fala-se que há esperança em meio a tanta dificuldades e desacertos.


88- Vamos por as cartas na mesa

Vamos conversar e esclarecer tudo.


89- Deu com a cara na porta

Perdeu a viagem. Andou a toa.


90- Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come

Fala-se de uma pessoa que está sem saída, sem ter pra onde correr. Que não importa a atitude que tome, está em situação difícil.


91- E uma faca de dois gumes

Está frente a uma situação imparcial e precisa tomar uma decisão de risco.

Expressão popular que significa que algumas coisa, algum fator, que alguém, que traz consigo boas estimativas, em dadas circunstâncias pode ser prejudicial.


92 - Trabalho de formiguinha

Um processo, ou seja, um trabalho realizado aos poucos, devagar, sem pressa.

Há de se ter paciência e persistência.


93- È a panela e a tampa

Que para cada pessoa existe uma cara-metade ou seja uma alma gêmea. 


94- Ir para o olho da rua

Fala-se de uma pessoa que está sendo dispensado, despedido do trabalho.


95- Ficou pra titia

Fala-se de uma pessoa que não se casou e já esta maduro. 

De alguém sem perspectivas de casamento.


96- Deu o golpe do Baú

Fala-se de pessoas interesseiras que se casam por dinheiro, dando mesmo a entender que duas pessoas apenas casaram em virtude do proveito desigual.


97- Muito cacique pra pouco Índio

Muito chefe pra tão pouco funcionários.

Muitas pessoas querendo dar ordem num determinado contexto e ou espaço.


98- Toma lá dá cá

Troca de favores, de tarefas ou de obrigações, ou seja, quando há um combinado entre duas pessoas a respeito de algo.


99- Conhecer como a palma da mão

Ser muito próximo a uma pessoa. Conhecer muito bem determinada pessoa.


100- Ser vaquinha de presépio 

Fala-se de pessoas que aceitam passivamente tudo. Está sempre de acordo e sem questionar nada.


101-  Ou vai ou racha

Tomar atitude sobre algo, colocando-se em risco.

Assumir atitude radical perante algo.


102- Passar o pente fino

Analisar minuciosamente algo que aconteceu.

Apurar, examinar com atenção , minuciosamente.


103- Vamos trocar figurinhas

Trocar informações importantes; travar relações amistosas e gentilezas. 


104- Jogar verde pra colher maduro

Fala-se de induzir alguém a falar algo , a revelar algo despercebidamente, disfarçadamente, indiretamente, sem que perceba.


105- Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher

Tratam-se de assuntos que só dizem respeito ao casal. Essa frases quer dizer que se tiver influência externa possa ser que piore mais a situação e a briga se prolongue ainda mais.


106- Pisar em ovos

Fazer ou falar algo com muito cuidado, cautelosamente.


107- Esse tem costas largas

Estar protegido por alguém poderoso 


108- Por as barbas de molho

Precaver-se.

Atentar-se pra algo que fez e que virá a tona.


109- Ficar de butuca ou estar de mutuca

Prestar atenção


110- Estar no mundinho ou no mundo da lua

Estar envolto em seus pensamentos.


111-  Não existe rosa sem espinho

O ditado traz o conceito de que mesmo as coisas mais bonitas podem trazer desafios. Isso vale para um amor, um trabalho, uma amizade ou outras situações. Isso porque, como é dito na oração, mesmo as flores mais belas, como as rosas, possuem aspectos desagradáveis como os espinhos em seus caules, que podem até mesmo causar ferimentos.


O que são os ditados populares? Orações que traduzem aspectos cotidianos da vida em sociedade.

São ideias relacionadas ao nosso modo tradicional de viver e de experimentar o mundo. As frases estão disseminadas na cultura popular e são transmitidas de geração a geração, muitas vezes independente da classe social dos falantes.

Os provérbios ilustram conceitos que parecem universais, geralmente as frases são assertivas e revelam verdades que se julgam incontestáveis.

Assim, ditados apresentam “pílulas de sabedoria”, conselhos transmitidos de maneira rápida e direta.

Menino, cadê você?

 Menino, cadê você?


Autora: Stela Barbieri e Fernando Vilela


Minha proposta e sugestão de atividade seria de  trocar a palavra menino por : mamãe, papai; titia; vovó; etc. Além do que,  imaginar algumas situações que contextualizem o personagem escolhido.


- Menino, cadê você?

- Estou na caverna, da mamãe.

- Menino, cadê você?

- Estou pulando jacaré no rio!

- Menino, cadê você?

E assim este curioso menino vai respondendo sua mamãe até que percebe que ela não está por perto. Ai, ele fica desesperado mas, logo encontra sua curiosa e criativa mamãe.





ENTRE TANTOS

 ENTRE TANTOS


Autor: Marcelo Cipis


MANUEL É PRIMO DO ACÁCIO

QUE É PAI DA ESTELA,

QUE É VIZINHA DA MARLI,

QUE É TIA DO CARLINHOS,

QUE É NETO DO ERNESTO,

QUE É CASADO COM A GERTRUDES,

QUE É AMIGA DA    (...)



E ASSIM DISCORRE ESTA CRIATIVA LEITURA E VEJAM QUE DÁ PRA CONSTRUIR UM POEMA RICO EM INFORMAÇÕES TRABALHANDO IDENDIDADE, ESPAÇO/LOCALIZAÇÃO, REGIONALISMO, DENTRE OUTROS.

EU PEGUEI A IDEIA E CRIEI UMAS AULA DE GEOGRAFIA. UM TEMA TRANSVERSAL  EM QUE APRESENTAVA OS ESTADOS VIZINHOS E OS BAIRROS VIZINHOS. E COM CERTEZA, DEPENDENDO DA FAIXA ETÁRIA, PODEMOS TRABALHAR OS CONTINENTES OU SÓ OS ESTADOS DE DETERMINADO PAIS. 

VOU EXEMPLIFICAR: BRASIL É UM PAÍS DA AMÉRICA, E FAZ PARTE DESTA FAMÍLIA MUITOS ESTADOS (...) E FAZ OPARTE DESTES ESTADOS MUITAS CIDADES...  

O IMPORTANTE É OBSERVAR QUE O AUTOR INICIA PELO MANUEL E FINALIZA A LEITURA COM O MESMO PERSONAGEM.

AS ILUSTRAÇÕES DÃO UM TOQUE A MAIS E VALE MUITO A PENA CONFERIR!


Modernidade Líquida por Zygmund Bauman



Modernidade Líquida   

Autor-  Zygmund  Bauman

A era fluida , transformadora e  livre de escolhas...

A vida vista sobre um outro ângulo , como que vista da janela, de longe, de cima, do alto, fora desse contexto social...
Talvez como espectador e ou expectador, como um grande observador. Atento a mínimos detalhes da essência, da nata social, rica, média ou pobre. É assim que vejo Zygmund Bauman, simplesmente maravilhoso!

Essa leitura é um convite a reflexão sobre o que nos cerca .

Os ideais, as oportunidades  e as escolhas ou pelo menos que parecem ser escolhas. Uma sociedade demarcada por estratégias sócio-adaptativas, resultante de um processo histórico-evolutivo, criado através das interações entre fatores biológicos e culturais em meio a crescente complexidade da vida em grupo.

Na visão do autor, o sociólogo Zigmund Bauman a modernidade expressa-se concretamente na política e na cultura, afirmando novas formas de organização social e novos parâmetros de sociabilidade – contemporaneidade – tudo é fugaz, efêmero, a era dos supérfluos na matéria. 

Não ao sentimento profundo, ao vínculo.


O líquido, diferentemente dos sólidos,  não mantém sua forma com facilidade.                       Os fluidos não fixam espaço nem prendem o tempo, propensos a mutações, eles simplesmente  : fluem, escorrem, esvaecem, respingam, transbordam, vazam, inundam, pingam...E, quem quer uma sociedade congelada, estagnada, resistente ao tempo?

Emancipação, repúdio ao passado histórico, ao agrado, as tradições. Esmagamento da armadura protetora forjada de crenças e lealdades que permitiam que os sólidos resistissem a liquefação.      

E como aperfeiçoar esse sólido – moldar – tornar-se alterável?

Os tempos modernos encontram os sólidos pré-modernos em estado avançado de desintegração - E como administrar isso - Que tal começar eliminando as obrigações “irrelevantes” que impede a via de cálculo racional dos efeitos - a família -  e da densa trama das obrigações éticas. As responsabilidades mútuas, deixando toda a complexa rede de relações sociais no ar, desprotegida, impotente.

Um campo aberto  para a dominação, invasão frente a uma operação suave e contínua. 

Esse derretimento levou a uma progressiva libertação da economia de seus tradicionais embaraços políticos, éticos e sociais.





Bauman nos afirma que ao invés de uma sociedade dentro de um processo rígido, agora, ele é livre de escolhas e que por causa dessa liberação, dessa flexibilização, da fluidez crescente, do descontrole dos mercados financeiros, imobiliários, familiares,  trabalhistas, agora desengajados, onde articulam-se entre si o desejo por mudanças. Virar a mesa, arriscar, soltar as amarras. 
Um novo sentido em redirecionamento.

Redistribuição e relação de poderes em âmbito familiar, trabalhista e social.

Os indivíduos foram libertados de sua velha gaiola para serem admoestados e censurados, seguindo ideologias, grupos,  regras e modos de conduta tidos como apropriados e corretos.

Emancipação, individualismo, organização tempo e espaço. Aspectos entrelaçados e dificilmente distinguidos das experiências vivida pelos individuos.

Quando a distância percorrida numa unidade de tempo passou a depender da tecnologia, de meios artificiais de transporte, há de se considerar, refletir , reconhecer que todos os limites, a velocidade do movimento sejam eles  existentes ou herdados, poderiam, em princípio, serem transgredidos.

A velocidade do movimento e o acesso a meios rápidos de mobilidade e comunicação chegaram, nos tempos modernos, sendo está a posição de principal ferramenta do poder e da dominação. 

O poder se tornou verdadeiramente extraterritorial, não mais limitado nem desacelerado pela resistência do espaço. No espaço, contudo, pode haver controle absoluto.

O mundo deve estar livre de cerca, barreiras, fronteiras fortificadas e qualquer rede densa de laços sociais, e em particular que estejam territorialmente enraizados, aparentemente intocáveis,  estes serão obstáculos a serem eliminados.  

"Fixar-se ao solo não é tão importante se o solo pode ser alcançado e abandonado à vontade, imediatamente ou em pouquíssimo tempo. Por outo lado, fixar-se muito fortemente, sobrecarregando os laços com compromissos mutuamente vinculantes, pode ser positivamente prejudicial, dadas as novas oportunidades que surgem em outros lugares." 

Bauman afirma que a emancipação ao fim de três décadas gloriosas acontece. 
De que devemos nos emancipar? Libertarmos dos grilhões da sociedade, do peso, do sólido.

Onde haja a participação de todos. Onde todos acreditam estar de alguma forma participando, opinando, construindo. Sendo ouvido, sendo considerado.

Não a meta mais sem a massa.

A relutância do mundo, da sociedade em se submeter, em perceber o mundo “real”, constrangedor, limitante e desobediente. Livre para agir conforme os desejos e possibilidades, ampliando a capacidade de ação, onde as intenções passam a ser experimentadas.  

Liberdade subjetiva e liberdade objetiva – até onde posso , até onde quero, até onde consigo, até onde terei livre arbítrio. Até onde preciso ir a fim de alcançar tais objetivos, até então limitados a determinados grupos, assumindo os resultados sejam eles favoráveis ou não!  Ou, aparentemente favoráveis...

Uma mudança como que por encanto, de riscos e de coragem, de vontade. Uma liberdade “conquistada”.  A liberdade tem um preço a se pagar, querendo ou não assumir os riscos que lhe cabem, assim como as responsabilidades. Responsabilidades estas que numa sociedade livre não precisa ser muito considerada, não a curto prazo...

Nasce dessa emancipação o individuo que agora tem , age, estabelece e aparece. Tem autonomia e age sobre ela. Porém, abandonado aos seus próprios recursos, onde se submete à sociedade, a determinados grupos, ideologias, como que fisgados. E essa submissão é a condição para sua libertação. 

Há de se considerar que a falta de limite torna a vida detestável, brutal e curta.

A coerção social é uma filosofia à força emancipadora. 

Padrões e rotinas impostas por pressões sociais condensadas, despercebidamente traçadas, poupam essa agonia, graças a monotonia e a regularidade de modos de conduta.   (levemente/discretamente/lentamente). 
A rotina pode apequenar o individuo  mas, também pode proteger.
Submeter-se a sociedade e seguir suas normas e a ausência ou falta de clareza, de reflexões sobre o que está por detrás, o que virá adiante, os resultados dessas normas é e será a grande questão.

A proposta é uma vida de impulsos e momentânea, de ações de curto prazo e destituída de rotinas sustentáveis. Uma vida sem hábitos, destituídas de passado e de futuro – uma modernidade fluida – uma existência desarraigada da sociedade frente aqueles que até então determinavam seu comportamento e suas ações. 

As instituições estão dispostas a deixar a iniciativa individual. O cuidado com as definições  e identidades e com princípios universais com os quais convém rebelar- se,  estão em falta, em curso, sem amarras determinantes e definidoras de identidades. E, o que está disponíbilizado para recomendações são: camas de motel (prostituição), divãs (psicólogos), sacos de dormir (andarilhos),a disposição das efemeridades sociais, das escolhas , do futuro tido como incerto.

Uma sociedade que se diz livre de questionamentos e de justificativas.

Uma análise complexa frente aos resultados dessas ações tornou-se irrelevante, obsoleta e desnecessária. Inóspita para a crítica, que não abre espaço à critica – um lugar aberto a todos, livre de escolhas e atitudes. 

Cada indivíduo seguindo seu itinerário, sem atribuições, sem deveres, sem questionamentos, sem satisfações, sem interferências. Sem espaço â interferências.

Uma profunda transformação do espaço público, agora dotado de leveza, espontaneidade, fluido, permissivo. 

A sociedade pesada da era capitalista, de Henry Ford,  Karl Max, Focault  - sistemática, impregnada de teorias totalitaristas , onipresente, ameaçadora – uma verdadeira "Guerra Santa" a todas essas anormalidades, abrindo espaço a era moderna, incluindo toda espontaneidade e iniciativa individual, dotada deutonomia e  liberdade que só a burguesia tinha, só a elite.
E há de se considerar que estás escolhas se tornam bem diferenciadas se comparada uma condição com a outra. Um indivíduo com condições financeiras desfavoráveis se diferencia e muito daquele que muito tem e que dê alguma forma consegue driblar resultados, resultantes de suas ações, ao contrário daqueles que uma vez na escolha, muitas das vezes não consegue retroceder, reverter e se restabelecer e ou se arrepender e querer ou poder voltar atrás.

O panótipo, sobre a ótica de uma câmera as escondidas e o controle rigoroso, atento a tudo e a todos . 
Lugar onde os limites da maleabilidade humana são testados – a palavra de ordem era desarmar e neutralizar, controlar e direcionar. Então, surge uma teoria crítica, fluida, de auto firmação, do direito de ser, de ter, de aparecer. 

A modernidade sempre existiu, século após século, com os avanços. Porém a modernidade fluida, compulsiva e obsessiva, inefreável e sempre incompleta é a que estamos inseridos nos dias atuais.

A busca constante e insaciável de uma criatividade destrutiva em nome de um novo e aperfeiçoado projeto de desmantelar, defasar, reduzir o individuo.

O que o homem faz o homem pode desfazer.

Estar sempre à frente de si mesmo, ser incapaz de parar e ainda menos capaz de ficar parado no tempo e no espaço. 
Uma identidade que só pode existir como projeto de não ficar, de não realizado, incompleto, com muito ainda por fazer.  

É complexo demais uma sociedade boa, sem conflitos, isso é passado !  Essa busca por equilíbrio agora é individual, não mais social. 

Astúcia, vontade e poder são  para as partes e não para o todo.  Para os fortes.

Se espelhe em alguém , observe, seja criativo. 
Lute pelos seus ideais. 
Participe e faça suas próprias escolhas.

No mundo dos indivíduos há apenas outros indivíduos e meros exemplos a serem seguidos, ou não!  

Assuma-se, responsabilize-se, invista. (celebridades são os exemplos) .

"A apresentação dos membros como indivíduos é a marca registrada da sociedade moderna. Essa apresentação, porém, não foi uma peça de um ato: é uma atividade reencenada diariamente. A sociedade moderna existe  em sua atividade incessante de “individualização”, assim como as atividades dos indivíduos consistem na reformulação e negociação diárias da rede de entrelaçamentos chamada “sociedade”.

A sociedade dos indivíduos forma a individualidade de seus membros, e os indivíduos formando a sociedade a partir de suas ações na vida, enquanto seguem estratégias plausíveis, na rede socialmente tecidas de suas dependências.

A apresentação dos membros como indivíduos é a marca registrada da sociedade moderna, reencenada diariamente, incessantemente, reformulada e renegociada na rede de entrelaçamento chamada “sociedade”. O indivíduo faz parte da sociedade, portanto é preciso se inserir, tornar-se, fazer parte, agir compulsivamente. 

Aderir, emancipar-se.  

A individualização já não é uma escolha, é uma fatalidade. 

"Não se engane:  agora, como antes – tanto no estágio leve e fluido da modernidade quanto no sólido e pesado -, a individualização é uma fatalidade, não uma escolha. Na terra da liberdade individual de escolher, a opção de escapar a individualização está decididamente fora da jogada."

As que  ficam doentes foi por indecisão, por falha.

Se ficam de fora foi por escolha, incompetência, porque não se esforçaram o suficiente. Colocando no indivíduo a responsabilidade, a culpa pelo fracasso.

Oportunidades, a vida possibilita !
Basta querer ! 
Acredite!

O indivíduo é corresponsável por suas escolhas e consequentemente pelos resultados, pelos riscos enfrentados solitariamente. E manuais de instruções é o que não faltam. Dicas de sobrevivência são repassadas pela mídia, pelos meios de comunicação quase que diariamente, todavia, a ferramenta é você. Agora, se vai saber usá-la, só o tempo dirá.

Na terra da liberdade individual de escolher a opção de escapar á individualização e de se recusar a participar desse “jogo” está decididamente fora da jogada.  
Imposição, não!  DIRECIONAMENTO.

Não há espaço para uma sociedade pública, com espaços públicos, onde o coletivo está em questão. Fragmentou-se, cada qual seguindo seu rumo.

As únicas duas coisas úteis que se espera e se deseja do “poder público”, onde o coletivo está em questão, são que eles observem os “direitos humanos”, isto é, que permita que cada indivíduo siga seu próprio caminho,  e que permita que todos os faça em “paz”, protegendo a segurança de seus corpos e posses. 



Juntos e Misturados

 Juntos e Misturados

Autor e ilustrador: Laurent Cardon




Esta é uma interessante história de galinhas, muitas galinhas de diferentes características , cada qual com suas diferenças ...


Hoje , desde cedo, as galinhas brancas estão agitadas.

Marcel, o galo branco, sumiu.

Noemi, a favorita de Marcel, está inconsolável.

Ela entendeu tudo, muito antes dos outros.

- Foi a Doninha, tenho certeza!

- Foi a raposa! Eu a vi rondando ontem! diz outra galinha branca, como se de repente, tudo tivesse ficado claro.

A notícia se espalha rápido.

Entre as galinhas pretas , é um tal de contar e recontar pra ver se não falta ninguém. Para alívio de todas, não está faltando ninguém.

As galinhas ruivas cacarejaram sem parar.

Gertrudes, a galinha gorda, também desapareceu.

O conselho das galinhas convoca uma reunião de emergência.


(...)


Eu só sei dizer que a leitura traz consigo reflexões, portanto só finalizando pra entender.

Fênix quer ser borboleta

 Fnix quer ser borboleta^

Autora: Ana Carol

Ilustração:Mauren Veras





Fênix quer ser borboleta

Era isso que ele queria

Mas Fênix sendo lagarta,

Já era borboleta e não sabia.


A espera é tão incerta

Fênix não gosta de esperar

Astuta, lagarta inquieta

Começava logo a duvidar.


Duvidava da sua essência

Duvidava, mesmo , do seu destino.

Duvidava da sua potência

Duvidava até do Poder Divino.


Como posso me libertar?

 Por que não saio deste casulo?

Eu só quero me transformar

Mostrar que meu brilho não é nulo.

(...)


Quanto mais inteira respirava

Mais sentia uma força aflorar

Dentro de si uma luz brotava

A metamorfose podia, enfim, despertar.


No início do ano trabalhamos conceitos sobre identidade com as crianças e aqui está uma sugestão de leitura.

EU NÃO SOU TODO MUNDO

 EU NÃO SOU TODO MUNDO

    Autora: Soraia Lima

Ilustrações: Elder Galvão



Todo mundo quer a roupa da moda

- Eu não sou todo mundo!

Todo mundo quer ficar na internet o dia inteiro

- Eu não sou todo mundo!

(...)

Todo mundo quer ser feliz.

E Bia já descobriu como.

Ela não precisa ser igual a ninguém para ser feliz!


Uma leitura que traz consigo inúmeras reflexões sobre conceitos de identidade e no final da leitura ainda tem um importante recadinho para todos os leitores.

A Jacarezinha que mordia

 A Jacarezinha que mordia

Autora: Emília Nuñez


Era uma vez uma Jacarezinha muito meiga e fofinha chamada jaquinha.

Mas...

Ela não parava de morder!

Dona Jaca, mamãe de Jaquinha, conversava, reclamava, mas não tinha jeito, a pequena saia mordendo tudo que via pela frente.

Jaquinha começou a morder até os amiguihos.

Todos os amiguinhos da escola, até que um dia chegou um aluno novo na sala de Jaquinha. 

Aiii! Só lendo o restante da história para entender como esta situação se reverteu e ao invés de mordidas, agora, são só beijocas.  Ufff!


Gosto desta leitura já para os primeiros dias de aula, quando as crianças , numa roda de conversa,, apontam questões sobre as interações. Trabalhando o que pode e o que não pode na escola, na sala e nos diferentes espaços.

GALINHA INÊS

 GALINHA INÊS, COM ELA NINGUÉM TEM VEZ!

Autora:  MIRIAM PORTELA 

Ilustração: Glair Arruda



As imagens são lindisssimas e falam por si só...


VOU CONTAR PARA VOCÊS, AS PROEZAS DE INÊS.

UMA GALINHA RARA, FILHA DO GALO INGLÊS.

ELA, DESDE DE PEQUENA, ERA A MAIS VALENTE.

TANTO NA COR DAS PENAS  COMO NAS BRINCADEIRAS, 

INÊS SEMPRE FOI DIFERENTE.


SUA MÃE NÃO GOSTAVA DO SEU JEITO BRIGUENTO.

INÊS NUNCA LEVAVA DESAFORO PRA CASA.

BRIGAVA COM OS IRMÃOS, COMPRAVA BRIGA À TOA,

BICADAS E BELISCÕES, NISSO ELA ERA BOA.


A MÃE SEMPRE PEDIA PRA INÊS TER JUIZO.

A NINGUÉM ELA ATENDIA !

 FAZIA QUE NÃO OUVIA AQUELE MONTÃO DE AVISOS.

MEDO ELA NÃO TINHA

ERA MESMO UMA GALINHA?


BEM, AGORTA SÓ LENDO O RESTANTE DA HISTÓRIA PARA ENTENDER O QUANTO INÊS ERA RESOLVIDA...



O MONSTRO DAS CORES

 O MONSTRO DAS CORES


ANNA LLENAS

TRADUÇÃO: ROSANA DE MONT'OLIVERNE





Este é o monstro das cores.

Hoje ele acordou se sentindo estranho, confuso, aturdido...

Não sabe bem o que lhe passa.

Enrolado de novo?

Você não aprende nunca...

Quanta bagunça você fez com suas emoções!

Assim, todas emboladas, não funcionam.

Você tem que separá-las e colocá-las cada uma em seu pote.

Se quiser, te ajudo a organizá-las.


E assim começa esta graciosa leitura , em que uma menina conversa com seu "Monstrinho" todo colorido.

E no discorrer da leitura  vão aparecendo nas cores e o sentido de cada uma.

Amarelo é contagiante.

Azul é tristeza.

Vermelho é raiva.

Preta é covarde e tem medo.

o verde é calmaria.

E o rosa , só o leitor pode dizer. Aliás, pode e deve ler para compreender o que cada cor representa.

Frente as emoções que se sente, perceber que há nas cores algo que também nos represente.


E as opções de atividades são muitas e dentre elas podemos vislumbrar inúmeras propostas no que se refere a cor.

Minha primeira sugestão , já que sou da educação infantil seria trabalhar a mistura das cores e descobrir ou redescobrir as cores que fazem parte do nosso dia a dia em diferentes contextos. Eu digo redescobrir porque é uma proposta que se quisermos , trabalhamos o ano todo.

As cores do arco- íris; As cores das frutas; As cores , os tons de pele das pessoas, etc.

Uma dica de atividade é uma atividade que tenha o arco íris e a criança pinta cada arco, possibilitando a verificação das misturas. Quanto mais carregado for o pincel com tinta guache, maior a possibilidade de percepção da mistura/nuance.

Outra dica consiste em colocar colheradas de tintas de diferentes cores dentro de um saco plástico incolor, fechá-lo e deixar a criança realizar a mistura.


E há também filmes maravilhosos que agregam valor a esta leitura.



NO MUNDO DO FAZ DE CONTA

NO MUNDO DO FAZ DE CONTA 

AUTORA: "FÊ"





 NO MUNDO DO FAZ DE CONTA JACARÉ É ROSA E BANGUELA

LEÃO MIA MIAU

ELEFANTE VOA

BALEIA TEM QUATRO PATAS 

E O GATO, O DRAGÃO, A COBRA, A GIRAFA E OS DEMAIS BICHOS QUE APARECEM NA HISTÓRIA?

SÓ LENDO PRA VER!


UMA LEITURA CRIATIVA E GRACIOSA.

O Nariz da vovó

 O Nariz da Vovó

Autora  : Eva Santana




Joana escutou uma coisa bem esquisita.

A vizinha do andar de cima veio tomar café com a mãe da Joana e disse que a menina tinha o nariz da avó.

- O Nariz da vovó? - Comigo não está! - Nem mexi ele!

 O mais estranho foi que sua mãe deu razão a vizinha.

- Sim - Ela disse. - A  Joana saiu com o nariz da avó!

- Mas se nem saí de casa!


Agora, pra entender como caminha esta graciosa  história, só lendo o restante mesmo.

Mas , adianto que vale muito a pena. Criatividade e encantamento fazem parte deste contexto.


Nesta leitura eu agreguei ao mini projeto sobre identidade ( quem se parece com quem?) e também sobre higiene, enfatizando as partes do corpo humano e hábitos de higiene na escola, visto que muitas crianças estão sempre com o dedo no nariz.

Aproveitei para cantar com as crianças as musicas : Cabeça, ombro , joelho e pé e  Fui ao mercado

Medos na Infância

Medos na Infância  e o juízo de valores.

Se eu fosse um Peixinho

A canoa virou virou


 A linguagem se define como qualquer forma de comportamento intercomunicativo, verbal ou não-verbal (Cabral & Nick, 1998), que compreende um sistema de expressão humana por meio de palavras, de sinais e movimentos usados para expressar significados ou sentimentos. A linguagem é um instrumento de transmissão de informações e é essencial em vários aspectos da vida social e acadêmica (ALVAREZ, SANCHES, & CARVALHO, 2008).

Através da organização, combinação e articulação de palavras, tanto de forma oral como escrita, a linguagem tem como objetivo a comunicação. Para tanto, é necessário tanto a compreensão verbal, ou seja, o entendimento acerca do input linguístico, como também a capacidade de produção verbal — denominada output linguístico (STERNBERG, 2008).


A aquisição da linguagem é um componente fundamental para que a criança se insira socialmente, mas será este o único elemento importante? Acreditamos que não. Participar de interações sociais positivas requer atenção às expectativas e normas sociais, o que faz do desenvolvimento moral um componente crucial durante os anos pré-escolares.

A moralidade diz respeito ao conjunto de regras que norteiam os variados contextos sociais, e a legitimidade dessas regras está na convivência social (VINHA, 1999). De acordo com Pereira e Morais (2017), é importante para o professor da educação infantil conhecer o desenvolvimento cognitivo, social e motor, incluindo o desenvolvimento moral, para que possa planejar ações que contribuam com o desenvolvimento infantil. 

No curso desse desenvolvimento, à medida que a criança se torna mais independente e passa a interagir com o meio que a cerca de forma mais sistemática, ampliando seus círculos sociais, ela também se torna mais consciente dos perigos e dos limites desse mundo. Segundo Brazelton (2002), na mesma proporção em que a criança evolui e se torna independente, ela precisa de limitadores que a impeçam de ir longe demais – se colocando em risco. E este limitador é o medo! Durante os anos pré-escolares, ainda sem clareza de quais são os reais perigos do mundo, é muito comum que estes medos se intensifiquem e sejam depositados em elementos que, na realidade, não representam perigos reais (como monstros, personagens fictícios e escuro).

 Medos na Infância

Por que as crianças sentem medo? E por que será que na etapa pré-escolar – especialmente entre os 3 e os 5 anos – os medos parecem estar tão presentes? Para responder esta pergunta é preciso considerar, que cada emoção teve e tem uma função na nossa sobrevivência. Então, por que será que o medo é importante?

O medo coloca o nosso organismo em estado de alerta, prevenindo que nos aproximemos de situações potencialmente arriscadas e acionando rapidamente um repertório de ações, caso já estejamos em uma situação de perigo.  Em função do caráter adaptativo e da importância dessa emoção para a sobrevivência da espécie, alguns medos parecem vir pré-programados, principalmente dois deles: medo de altura e medo de sons muito altos.

Vou citar aqui uma  experiência, vivência minha em sala de aula, pois sou professora de Educação Infantil, em que uma criança de 5 anos, num momento de brincadeiras no pátio da escola, se aproximou de uma das colaboradoras  e disse: " Prô, você sabia que eu vou morrer. Eu sei que eu vou morrer . E como ninguèm gosta de mim , você vai ver, você vai ouvir a notícia" . E uma fala dessa nos impressiona muito, mas é importante considerar que aí está a presença do medo, a formação do inconsciente sobre questões emocionais, como por exemplo, a noção de que existe a morte, a perda. E foi esta a minha interpretação quando esta colaboradora me procurou para repassar a conversa. E eu disse a ela que por volta dos 5 anos a criança começa a perceber que existe a morte, a perda de pessoas queridas e que é um bom momento para uma roda de leitura sobre o tema. 

Os medos fazem parte do desenvolvimento infantil (MURIS, MERCKELBACH, MAYER, & PRINS, 2000). Apesar de a presença destes medos “clássicos” ser relativamente comum tanto em crianças quanto em adultos, a maior parte dos medos é, na verdade, aprendida através das interações sociais. Parte dos medos que observamos em crianças pode ter relação com o medo existente nos seus cuidadores: quando um deles apresenta reação de medo ao ver, por exemplo, determinado animal, a criança pode incorporar aquele medo ao seu próprio repertório (MURIS, STEERNEMAN, MERCKELBACH & MEESTERS, 1996). 

Outros medos são aprendidos (OLLENDICK & KING, 1991) através das narrativas dos cuidadores. Quando dizemos “cuidado” e “não precisa ter medo”, por exemplo, estamos antecipando potenciais perigos e contribuindo para o desenvolvimento do medo. Essa construção é muito importante por manter a criança atenta e vigilante em etapas em que ela terá que tomar decisões por ela mesma. 

Esses medos, pré-programados ou aprendidos em níveis moderados e adaptados ao contexto, cumprem sua função de proteção. Contudo, por vezes os medos se exacerbam e se tornam não adaptativos. 

A linha divisória é quando a presença daquele medo impacta no cotidiano da vida da criança e na intensidade da resposta emocional frente à presença do objeto de medo. Assim, se o medo impede que a criança participe e aproveite atividades típicas para o seu desenvolvimento, ou se a resposta emocional é tão intensa que a criança não consegue regular, mostrando sinais de pânico ou terror, sabemos que o medo está ultrapassando a fronteira do esperado. 

Para compreendermos as origens dos medos das crianças precisamos considerar as realidades que integram seu mundo:  a realidade externa, que se refere ao meio em que vive, e a interna, que está relacionada com sua vida emocional. Desde os primeiros meses de vida a criança começa a ter medo, sendo que inicialmente o medo é de sons altos. À medida que as funções cognitivas se desenvolvem, a consciência sobre si mesma e sobre o mundo se aprimora. O aprimoramento da capacidade de dedução permite que a criança antecipe situações e favorece o desenvolvimento de medos.

Entre os 3 e os 5 anos de idade, a imaginação e a capacidade simbólica estão em pleno desenvolvimento e, assim, os medos imaginários – não derivados de deduções da realidade – se tornam muito comuns. 

Desta forma, o universo pré-escolar é repleto de monstros e fantasmas, e há uma série de situações em que eles podem aparecer para amedrontar a criança. 

Segundo Ballone (2001), normalmente esses elementos imaginários despertam o medo na criança durante a noite e/ou no meio de uma brincadeira. Outros estudos sugerem que aproximadamente dois terços das crianças entre 4 e 12 anos experienciam algum grau de medo de coisas que aparecem à noite (escuro; pesadelos; monstros). E o que fazer em relação aos medos infantis? Como agir? 

E quais são os medos típicos : nos bebês, até os 2 anos é de ficar longe dos pais, de pessoas desconhecidas, ruídos fortes, lugares novos e luzes intensas. Ente 2 e 4 anos têm medo de animais, ficar sozinhos, monstros, máscaras e fantasias , ficar no escuro. E entre 5 e 6 anos medo de  animais, trovões, ficar no escuro, ser deixado na escola, perder-se dos pais.

A vivência típica do medo se dá na representação desta emoção através de brincadeiras, num contexto que afasta a brutalidade do real e controla o medo, sem de todo excluí-lo (BITTENCOURT, 2010). Portanto, o estímulo à representação dos medos através de expressão gráfica e de brincadeiras favorece a aproximação gradativa e aumenta a sensação de regulação da criança sobre seu próprio medo. 

Por outro lado, propiciar a criança a se manter distante do objeto amedrontador contribuem para o desenvolvimento de medos exacerbados, como fobias (EWING, 2020).

É importante não menosprezar o medo da criança com falas do tipo “você não deve ter medo”, “que bobagem ter medo disso”, ou ainda “ninguém da sua idade tem medo disso”. Por outro lado, sem diminuir a importância desta emoção, incentive a naturalização do medo através de brincadeiras como “Eu tenho medo de .... E você?”, as quais podem favorecer a expressão dos medos e diminuir a ansiedade. 

Neste tipo de atividade as crianças devem se sentar em círculo e o educador, utilizando um fantoche, afirma: “Eu tenho medo dos trovões! E você?”.  Ao dizer isto, dirige-se a uma criança que irá expressar o seu medo: “Eu tenho medo de…”, repetindo esse processo sucessivamente até que todas tenham falado. Quando cada criança partilhar o seu medo, deve, concomitantemente, fazer o som correspondente a esse medo (som do trovão, do trem, das sirenes da polícia) ou então fazer o gesto correspondente, caso não seja possível fazer um som (montanhas muito altas, etc).

Vale lembrar que o contexto em que a criança está inserida pode modificar o padrão típico de medo. O estudo de Vilhena et al. (2011), por exemplo, mostrou que crianças de diferentes níveis socioeconômicos manifestavam diferentes medos associados às suas experiências sociais.

Sugestões de leituras

São vários os livros infantis com a temática do Medo. O Vai Embora Grande Monstro Verde de Ed Emberley auxilia crianças a assumir o gerenciamento do seu medo. Com pouco texto e favorecendo a leitura compartilhada, este livro é muito bem recebido por crianças muito pequenas. O livro Quando Sinto Medo de Trace Moroney é ideal para crianças pequenas e trata dos pensamentos associados ao medo trazendo, no final, dicas para os adultos lidarem com os medos infantis. Já o Tenho Medo, Mas Dou um Jeito de Ruth Rocha trata das estratégias de regulação do medo.

É típico haver algum grau de ansiedade frente ao ingresso na escola ao longo de todos os anos pré-escolares, especialmente no primeiro ingresso e no retorno de períodos de ausência, como feriados, férias ou questões médicas. Geralmente, a inserção gradual no ambiente escolar, com aumento progressivo do tempo de estadia, e a separação gradual do cuidador de referência são estratégias eficazes e suficientes de sensibilização. 

No entanto, quando a criança manifesta comportamentos exacerbados que sugerem fobia escolar, como choro ininterrupto e intenso, tremor, suor excessivo, palpitações, vômito e dor de cabeça, os quais ocorrem não apenas no momento e durante a estadia na escola, mas também na etapa que antecede a ida à escola, é importante estarmos atentos. 

A fobia escolar em geral se associa às características da criança, do cuidador e do apego da criança com o cuidador primário. Características como maior sensibilidade, do cuidador com maior grau de ansiedade e da díade como apego inseguro contribuem para a exacerbação do medo típico. O estudo de Veríssimo, Alves, Monteiro e Oliveira (2003), por exemplo, investigou 168 crianças entre 3-4 anos e suas mães e concluiu que a ansiedade da separação materna influenciou a qualidade da adaptação psicossocial da criança na pré-escola. 

Nestas situações intensas, o acolhimento do cuidador e uma abordagem conjunta com a família é ainda mais fundamental, além de avaliação da necessidade de acompanhamento especializado para ajudar a criança e a família a vivenciarem com menos intensidade a inserção em um ambiente novo, como a escola.

Sugestão de leitura

O livro Soltei o Pum na escola! de Blandina Franco trata do nervoso que naturalmente sentimos no primeiro dia de aula. Até os cachorros ficam nervosos. O Pum, por exemplo, quando visitou a escola do seu dono, ficou todo quietinho no começo. Mas logo se soltou e saiu correndo feito um rojão! 

Portanto, desde o nascimento a criança é inserida em um universo de linguagens. A linguagem não está restrita apenas à oralidade e à escrita, mas envolve também diferentes modos de expressão que se relacionam entre si, como as imagens, os movimentos corporais e os sons presentes no cotidiano. Por isso, é preciso abordá-la em sua pluralidade.

Sendo assim, todos os tipos de linguagens, tanto musical, verbal, escrita, pictográfica, visual, são formas de comunicação. As crianças possuem, por isso, diversas formas de se comunicar, se expressar, mostrar os seus desejos, seja entre elas ou com os adultos. Partimos, portanto, do pressuposto de que a linguagem e a comunicação estão aliadas ao desenvolvimento moral da criança.

A Educação Moral, segundo Piaget, deve ser experienciada de todas as formas e em todos os ambientes da escola. O autor afirma que os procedimentos de Educação Moral devem levar em consideração a criança, oferecendo situações em que seja possível vivenciar princípios morais de reciprocidade, de cooperação, de respeito mútuo, construindo, desta forma, sua autonomia moral:

Se, realmente, o desenvolvimento moral da criança ocorre em função tanto do respeito mútuo como do respeito unilateral, [...] a cooperação no trabalho escolar está apta a definir-se como o procedimento mais fecundo de formação moral. (Piaget, 1996, p.21).

Buscando formar seres humanos autônomos, ativos e criativos, não podemos perder de vista a perspectiva lúdica do processo de participar e explorar. Sendo assim, os jogos, brincadeira e a literatura podem estar presentes nesse processo, levando a criança a traçar seus caminhos e estratégias de ação em busca do desenvolvimento da linguagem, comunicação e desenvolvimento moral para solucionar problemas referentes ao medo, por exemplo, com a mediação do professor, de forma lúdica e prazerosa. 

ATIVIDADES


Dados das Aulas

O que a criança poderá aprender com as atividades propostas

Ampliar vocabulário;

Desenvolver habilidades de leitura e de expressão oral;

Desenvolver atitudes de interação, de colaboração e de troca de experiências em grupos;

Despertar o gosto por ouvir histórias;

Ter contato com a literatura infantil;

Ampliar  a capacidade de imaginação;

Criar possibilidades de interação mediante o conhecimento e reconhecimento do outro;

Desenvolver competências e habilidades para expor ideias próprias;

Estabelecer vínculos afetivos entre os pares;

Desenvolver atitudes de interação, de colaboração e de troca de experiências;

Desenvolver atitudes de respeito durante a escuta e fala do outro;

Reconhecer emoções e sentimentos por meio da influência que pessoas e situações exercem sobre eles;

Desenvolver a oralidade;

Expressar sentimentos, opiniões, emoções, dúvidas, vontades, angústias, medos, dentre outros;

Trabalhar em equipe;

Utilizar diferentes tipos de linguagens;

Identificar e interpretar as situações, comportamentos e eventos que provocam cada emoção e sentimento;

Aprender a expressar seus sentimentos e emoções de maneira assertiva e respeitosa;

Aprender a respeitar os sentimentos e emoções dos colegas;

Desenvolver a noção de pesquisa como propulsora da construção do conhecimento.

Duração das atividades

Aproximadamente 60 minutos cada uma

Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

Não há necessidade de conhecimentos prévios, tratam-se de atividades que irão ampliar a linguagem e comunicação, o desenvolvimento moral e os medos da infância por meio de alguns de seus direitos de aprendizagem: Participar e Explorar.

Professor, faça uma reflexão dos seus conhecimentos sobre linguagem e comunicação, desenvolvimento moral e medos na infância. Registre informações sobre os mesmos.

Professor, ao planejar, analise o perfil da turma, a proposta (projetos) desejada pelas crianças, fique atento aos seus interesses, busque contemplar as experiências no contexto diário, semanal, mensal, bimestral. Situe-se no ambiente escolar, ou seja, nos espaços a serem apropriados pelas crianças, áreas internas e externas, cantos de interesses, entre outros.  Considerando as aprendizagens selecionadas para sua turma, organize rotinas diárias, considere diferentes modalidades organizativas que levem em consideração sua frequência e encadeamento, reflita e proponha apoios para atender às necessidades e diferenças de cada um. Caso você não possua professor auxiliar, convide crianças maiores para ajudar as menores, convide outros profissionais da instituição ou familiares das crianças para participar dos momentos que você considerar necessário.

Para ter um planejamento condizente com a aprendizagem das crianças, é necessário que você fique atento às suas diferentes necessidades, garantindo os direitos de aprendizagem a todos. Assim, é fundamental considerar o conhecimento prévio, se for o caso, e as necessidades das crianças, e isso passa pelos saberes cotidianos que são a ponte para a construção de novos conhecimentos. Orientamos que em alguns momentos incentivem as crianças a eleger por si próprias o tipo de registro que usará, que pode ser: desenhos, colagens, pinturas, escrita, fotos, objetos que representam e expressam os acontecimentos da atividade proposta. Se ela optar pela escrita, permita que realize tentativas livres e espontâneas dessa linguagem, ou você poderá escrever por ela, se esse for seu desejo, ou seja, respeitando exatamente o que a criança disser. 

O mais importante desse processo é explorar a criatividade, a expressão e a autonomia da criança na realização das ações propostas. Em vez de explicar de forma expositiva o que é cada material que irá compor determinada atividade, permita que os alunos explorem, com suas próprias mãos, esses materiais. É por meio da exploração que as crianças se familiarizam com diferentes formas, texturas, movimentos, sons e cores.


ATIVIDADE  CONTAÇÃO D HISTÓRIA

Professor, um dos recursos mais prazerosos, é a leitura infantil. Através das histórias, as crianças podem se identificar com os personagens e encontrar soluções plausíveis para os seus medos e suas coragens, por exemplo. A leitura pode apresentar o sentimento de forma simbólica, indicando caminhos para a sua superação de modo mais leve e até divertido.

Por meio de histórias, as crianças podem falar sobre seus medos, por exemplo, mostrando que nós adultos também sentimos medo, e mesmo que estes não desapareçam por completo, se tornam menores e escassos com o tempo. Nesse caso, estamos falando de medos como medo do escuro, de monstros, de ficar sozinho, de trovões, raios, barulhos estranhos, os quais podemos ajudar os pequenos com zelo, a não menosprezar seus sentimentos, a permitir que eles falem para “espantar” o medo.

O medo é um sentimento comum na infância, mas, se você observar, vai notar que ele aparece com características bem variadas. Bebês pequenos podem se assustar diante de sons ou luzes fortes, enquanto os maiorzinhos demonstram temor quando surgem pessoas ou ambientes novos. É só a partir de um ano e meio que as crianças começam a ter medo de escuro, objetos grandes e posteriormente, entre 2 a 5 anos, a temerem palhaços, pessoas fantasiadas, insetos, monstros, fantasmas e outras criaturas assustadoras. Aos 5 anos os medos se tornam mais concretos, como de ladrões, de cachorro, por exemplo. 

Veja alguns questionamentos que proporcionarão o diálogo com as crianças no decorrer da atividade proposta a seguir:

Quais medos as crianças sentem? 

O que as crianças fazem quando sentem medo de algo? 

O que ajuda a passar o medo? 

Para esta atividade, leve as crianças para um local diferente da sala de aula. Pode ser na biblioteca, debaixo de uma árvore ou outro espaço onde possam estar em conforto para ouvirem a história que você vai contar. 

Quem gosta de ouvir histórias?

Quem conta histórias para vocês em suas casas?

Alguém já contou alguma história que o personagem tinha algum medo?

Vocês sentiram medo ao ouvir a história?

Vocês têm medo de alguma coisa?

Como vocês fazem para não terem medo?

Alguém ajuda vocês a vencerem o medo?

O que ajuda a passar o seu medo?

Que tal ouvir uma história que fala sobre o medo?

LEMBRE-SE - Ouça as ideias das crianças;

Elabore questionamentos a partir do diálogo estabelecido;

Insira aquelas que não têm o hábito de falar;

Dê oportunidade para que as crianças possam relatar seus sentimentos sobre a temática desenvolvida;

Ao abordar o tema, seja cauteloso! Algumas crianças poderão não se sentir à vontade para mencionar seus medos;

Procure trabalhar de forma lúdica, respeitando as características de sua turma;

Deixe as crianças à vontade para expressarem, ou não, seus sentimentos; 

Manifestações do tipo “eu não tenho medo de nada” também devem ser respeitadas;

Crie o hábito de ler histórias para sua turma;

Leia ou conte várias histórias; 

Para ler um conto, por exemplo, você poderá utilizar a estratégia de fazer a leitura em capítulos;

Dialogue com a turma sobre os capítulos que já ouviram e o que poderá acontecer no próximo capítulo a ser lido.

Quando lemos para nossos alunos, já estamos os inserindo no mundo letrado, por isso podemos dizer que essa atividade pode auxiliar no processo de alfabetização. Ouvindo, a criança pode perceber que a história possui início, meio e fim e essa percepção pode auxiliá-lo nos momentos de produção de textual. 

Quando eu disser fada, vocês dizem bruxa.

Quando eu disser bruxa vocês dizem fada.

 Fada, Fada, Fada 

Bruxa, bruxa, bruxa. 

Bruxa, bruxa, bruxa 

Fada, fada, fada 

Quando eu disser agora, vocês dizem história.

Quando eu disser história, vocês dizem agora. 

Agora, agora, agora 

História, história, história 

História, história, história 

Agora, agora, agora

Ao final da música conte a história “Quem tem medo de quê” da autora Ruth Rocha. (Apresente a autora para as crianças. Diga o nome dela, onde nasceu, há quanto tempo escreve histórias para crianças. 

Dados bibliográficos da autora você poderá encontrar no site:  

http://www.ruthrocha.com.br/biografia

Dados bibliográficos da autora você poderá encontrar no site:  

https://www.youtube.com/watch?v=wLoeGeFyhg0 

DICA DE LEITURA

Antes de contar a história, você poderá explorar os elementos da capa do livro, como imagens, texto escrito, nome do autor, ilustradora, editora, cores. Ressalte o título, pergunte o que as crianças acham que vai acontecer na história, apresente-lhes a capa do livro. E durante a leitura do texto, faça paradas para dialogar com a turma. A cada página lida, questione:  você também tem esse tipo de medo? O que você faz quando ele aparece? Qual será o próximo medo?

Ao término da leitura do texto, pergunte o que acharam da história e peça-lhes que justifiquem a resposta.

A leitura é primordial em todas as fases da vida. É essencial que o bebê e as crianças pequenas se familiarizem com os livros, com as histórias. Para bebês as histórias devem ser curtas, mas, independentemente de qualquer coisa, a criança e seu interesse é que definirão o tempo de leitura. Portanto, reconheça o tempo dela e não vá além de seu interesse.

Registro da atividade

Com base nos diálogos e de acordo com os medos manifestados pelos alunos desde o primeiro momento, solicite que cada um registre, por meio de desenho e/ou palavras (de acordo os conhecimentos de cada um), resposta para a pergunta: Como é o seu medo?

Você poderá propor que essa resposta seja registrada na lousa/quadro de caixa de leite, construída pelos alunos. Isso mesmo! Um quadro feito com caixa de leite! Para construí-lo, basta abrir uma caixinha de leite e com uma caneta hidrocor escrever/desenhar na parte prata. Se desejar um quadro maior, junte várias caixinhas, e para apagar e escrever novamente, use um pano molhado. 

Veja as instruções de como construir esse material:

Abrir a caixa de leite usando uma tesoura;

Lavar a caixa de leite;

Cortar as laterais;

Utilize cola quente ou cola instantânea para colar uma caixa na outra, caso queira um quadro maior;

Para retirar o rótulo da caixa, você poderá esguichar um pouco de detergente ou sabonete na água. Esses produtos vão ajudar a soltar o rótulo. (Mas, se preferir, você poderá deixar o rótulo e trabalhar com as crianças as vogais, consoantes, leitura, escrita de palavras, dentre outros);

Preparada a caixa, é só desenhar, escrever etc...

Ao final da atividade, socialize as produções das crianças. Peça que apresentem sua obra para os colegas. Solicite também que falem o que acharam da atividade. É importante que justifiquem suas respostas.

Outras possibilidades:

Faça uma entrevista com os familiares sobre os medos das crianças. 

Solicite às famílias que registrem os medos que a criança tem. Essa atividade deverá ser realizada dias antes de você contar a história. Dessa forma você poderá organizar seu planejamento baseando-se nas informações prévias e poderá acolher com mais “zelo” os medos apresentados pelas crianças.

Durante a realização da atividade, faça registros sobre o comportamento das crianças. Procure observar se elas foram capazes de relatar seus medos, se elas conseguiram perceber a relação entre seus medos e os de seus colegas, se identificaram possíveis maneiras de lidar com seus medos. Avalie também a linguagem oral e escrita nas atividades propostas.

Solicite às crianças que pensem em quais medos as levariam ao choro.

Reforce que o fato de chorar faz parte da vida das pessoas. Depois, proponha uma atividade de mímicas, pedindo que cada uma faça a mímica do que teria medo, para que os seus colegas adivinhem.

Produza de um texto coletivo após a realização da atividade anterior. 

Apresente aos alunos uma imagem que representa medo, por exemplo:

Por fim, elabore questionamentos, suscitando a criatividade:

 O que você vê na imagem? 

 Como será que essa criança está se sentindo? Por quê?

O que será que aconteceu com ela?

Como será que ela vai resolver essa situação?

Anote na lousa as sugestões dadas pelas crianças para auxiliá-las na produção oral e coletiva. Induza-as a nomear a personagem, local e tempo da história, auxiliando-as na produção textual. 

À medida que as crianças forem expondo suas ideias, você as vai registrando na lousa. Ao escrever cada frase ou parágrafo, retome o diálogo para que possam discutir sobre a sequência e a coerência dos fatos. Quando terminar de escrever o texto, refaça a leitura e reorganize, se for o caso, mostrando-lhes a lógica da narrativa.  Ao fim, peça que as crianças façam a cópia do texto e também sua ilustração.

Caso as crianças não consigam fazer o registro por meio da escrita, você poderá pedir que reescrevam os acontecimentos utilizando imagens e palavras, sendo você o escriba quando se fizer necessário.

Convide as crianças para produzirem um painel coletivo registrando aquilo de que elas têm medo e aquilo de que não têm.  

Divida o painel em duas partes: Tenho medo e Não tenho medo. Peça que a turma folheie revistas, jornais, panfletos de propaganda, dentre outros, e selecione imagens e/ou palavras que correspondam aos seus medos para serem coladas no painel. 

Proponha que as crianças desenhem o que as assusta e causa medo. 

Converse sobre os desenhos de cada uma. Em seguida, solicite que rasguem o papel onde está o medo, passe uma sacolinha e recolha os medos. Faça uma encenação dizendo: “Vou jogar os medos no lixo”. Jogue no lixo e converse novamente com as crianças. 

Pergunte à elas: o que vocês acharam da minha ideia de jogar os medos no lixo? Vocês acham que podemos vencer nossos medos jogando-os no lixo? 

Ouça as crianças. Em seguida, proponha que escrevam uma frase dizendo o que acharam da atividade. Você poderá entregar uma ficha para que cada uma delas escreva essas frases e, na sequência, colá-las no painel da sala. Não se esqueça de escrever um título, que deve ser definido pela turma.

Organize a turma em uma roda de conversa. 

No centro da roda, coloque cartazes com emojis representando a diversidade de sentimentos (medo, tristeza, alegria, raiva, surpresa, dentre outros). 

Explore cada um dos elementos, perguntando para as crianças o que representam. Ouça as respostas e acrescente questionamentos que se fizerem necessários a fim de que seja esclarecido um por um dos sentimentos. 

Informe que os sentimentos e emoções são pertencentes a todas as pessoas, independentemente da idade, e eles devem ser manifestados. 

Cole as imagens na lousa ou na parede da sala e solicite às crianças que elas fiquem de frente à imagem que representa como elas estão se sentindo naquele momento. Peça que justifiquem suas escolhas.

Promova um diálogo solicitando que as crianças busquem em suas memórias um acontecimento que as deixou felizes. Peça que comentem a respeito da situação vivenciada e relatada. Você poderá questionar:

O que aconteceu que te deixou feliz?

Por que você ficou feliz?

Quem estava com você?

Onde você estava?

Como estava o dia? Estava chovendo ou era um dia de sol?

O que mais te deixa feliz?

Convide a turma para registrar esse acontecimento por meio de um desenho, uma produção textual ou uma história em quadrinho, avaliando e fazendo as adequações necessárias. Disponibilize lápis de cor, giz de cera, tinta colorida, folhas de papel sulfite e deixe que cada um expresse sua criatividade. 

Caso opte por história em quadrinhos, providencie uma folha de papel sulfite dividida em 8 partes a fim de que as crianças registrem suas histórias. Você poderá diminuir ou aumentar a quantidade de quadrinhos. Faça de acordo com os conhecimentos de sua turma.

Oriente as crianças para que leiam o texto, disponibilize tempo e considere que façam a leitura em colaboração. Auxilie-os na leitura, se for necessário. 

Exponha os trabalhos das crianças no mural da sala para que todos tenham acesso às produções dos colegas. 

Outras opções de literatura infantil com a temática medo:

Alguns Medos e Seus Segredos – Ana Maria Machado  

O livro é dividido em três histórias: “Mãe com medo de lagartixa”, “Com licença, seu bicho-papão” e “O lobo mau e o valente caçador”. Todas elas são narradas com muito bom humor e mostram para a criança que o medo faz parte da vida de todos nós.

O Medo Que Mora Embaixo Da Cama – Mariza Tavares. 

O escuro pode ser bem desafiador, ainda mais quando levamos em conta a imaginação fértil dos pequenos. E é por isso que passa João, o protagonista desta trama. Em uma noite de coragem, o menino vence os temores que moram em seu quarto. 

Chapeuzinho Amarelo – Chico Buarque 

Nesse livro, a personagem é uma garotinha que teme tudo. Ela teme tanta coisa que tem até medo de sentir medo. De tanto medo, ela já não se divertia, não brincava e nem comia, e seu maior receio era encontrar o lobo mau. 

Medo do Escuro – Antônio Carlos Pacheco

Uma estrelinha parece como todas as outras, se não fosse por uma coisa: ela morre de medo do escuro! Por isso, toda vez que o sol vai dormir e a noite chega, ela se recusa a entrar na escuridão. Até que um dia, depois de muitas tentativas, ela recebe a ajuda da lua e descobre como o seu brilho tem poder. A promessa é uma narrativa singela, mas cheia de significado. 

Enfrentar o medo é um processo de evolução. O apoio de familiares e professores é essencial nesse momento. Professor, é imprescindível demonstrar para as crianças que elas não estão sozinhas, que poderão contar com nosso apoio. É importante oferecer segurança, respeitar o momento e o medo manifestado por cada criança e por todos. Sugerimos que, caso a criança seja bem pequena, você ofereça estímulos de maneira suave, fale com carinho. Esteja por perto e com disposição para conversar e entender o medo dela. Não a subestime. O acolhimento é essencial. Não incentive o medo. Esclareça que muitos medos são criados e alimentados por nós. Bicho papão, bruxas e lobo mau são personagens de histórias. Mostre que é normal sentir medo e que todos têm os seus. Fale a respeito de seus próprios medos.

Caso você perceba mudanças bruscas no comportamento da criança, como mudança de humor, perda de interesse nas atividades que ela gosta, pode ser que o medo tenha extrapolado. Assim, recomendamos que um profissional especializado seja consultado.

Professor, atualmente as crianças contam com inúmeras possibilidades de comunicação, que são viabilizadas pelos recursos tecnológicos. As tecnologias digitais oferecem possibilidades para selecionar informações significativas, organizar as memórias da aprendizagem e transformá-las em novos conhecimentos, expandindo os poderes cognitivos. 

Desta forma, sugerimos que você utilize alguns sites para trabalhar a temática “medo” com sua turma. Faça a leitura prévia do conteúdo de cada um e defina o que melhor lhe convém. Nos sites, você terá acesso a um conjunto de atividades que buscam incluir a criança no mundo digital e a lidar com seus medos.

Contação de história “Casa dos sentimentos” 

https://www.youtube.com/watch?v=XptatS9eGQ8

Um medo de arrepiar (Esse livro tem opção de Leia para mim ou Eu mesmo leio). 

https://www.escolagames.com.br/livros/umMedoDeArrepiar/#

Dinâmicas para lidar com o medo 

https://minhasatividades.com/dinamicas-para-lidar-com-o-medo/  


Atividades lúdicas  - BEBÊS

Nos primeiros anos de vida, os pequenos estão descobrindo o mundo, curiosos e atentos a tudo que acontece ao seu redor. Cheirar, morder, apertar, observar, ouvir, tatear... são ações que aguçam os cinco sentidos que deverão ser explorados e estimulados a todo momento.  Seja na hora do banho, na hora de mamar e comer, dar os primeiros passos, ou realizar um passeio, nas brincadeiras, nos momentos de leitura, tudo deverá se transformar em estímulo para o desenvolvimento das crianças. Nessa perspectiva, sugerimos algumas atividades que os bebês e crianças bem pequenas possam vivenciar.

Utilize legumes como batatas, cenouras, quiabo e beterrabas para transformá-los em carimbos. Depois, com um pedaço de papel, um pouco de tinta e muita criatividade, é só soltar a imaginação!

No site, a seguir, você terá acesso a aula: “Carimbos: possibilidades de escrita”, que descreve como produzir e utilizar carimbos artesanais. Não se esqueça: é necessário que você faça adaptações ao nível de suas crianças.

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=50365. 

Professor, a caixa sensorial é normalmente uma caixa de papelão ou outro recipiente grande cheio de objetos selecionados para estimular os sentidos. A caixa sensorial ou tátil pode ser preenchida com uma grande variedade de materiais, desde papel picado, folhas secas, areia e muito mais. Essa atividade é como um mundo de descobertas: estimula o livre brincar e oferece oportunidades infinitas para a criança experimentar e aprender.

Você poderá utilizar a caixa sensorial colocando objetos para que as crianças possam pegar e brincar. Veja como fazer:

Separe de 3 a 5 caixas (calcule uma média de 4 crianças por caixa). 

Feche todos os lados de cada caixa com fita adesiva e confeccione em um deles um buraco com cerca de 10 cm de diâmetro que seja suficiente para a entrada e saída da mão da criança com facilidade. 

Separe alguns objetos para colocar dentro delas, como bolas, cones, brinquedos de empilhar, brinquedos de encaixe e materiais que lembrem músicas do cotidiano das crianças, como aranha (música da Dona Aranha), pintinho (música do Pintinho Amarelinho), ursino (música Ursinho Pimpão) etc.

A caixa sensorial também poderá ser usada assim:

Coloque areia, gelatina ou grãos, arroz, milho e feijão crus, por exemplo;

Basta pegar uma caixa plástica e enchê-la com o que preferir;

Se for um bebê e uma caixa grande, é possível deixá-lo sentadinho dentro da caixa para brincar;

Se for criança pequena, ela pode brincar com ferramentas, forminhas e baldinhos, do lado de fora da caixa.  

Outra ideia para caixa sensorial

Coloque dentro da caixa brinquedos e, à medida que as crianças forem pegando, explore-o com perguntas como: Que brinquedo é esse?  Como é? Faz barulho? Qual é sua cor? Como posso usar esse brinquedo?..;

Sugira que utilize o brinquedo em uma brincadeira com outra criança;

Se for algum brinquedo de empilhar, ajude-os na construção;

Deixe as crianças brincarem livremente. Esteja sempre próximo explorando as diferentes situações: dialogue com a criança, problematize o que está sendo vivenciado (faça perguntas sobre o que estão fazendo, como conseguiram realizar...)

Atividade - Peixes no aquário

Campos de Experiência: 

O eu, o outro e o nós

Traços, sons, cores e formas

Corpo, gestos e movimentos

Escuta, fala, pensamento e imaginação

Espaço, tempo, quantidades, relações e transformações

entendemos que valores morais são os princípios e normas que determinam o comportamento de uma pessoa e a sua interação com a sociedade. 

Existem alguns valores que são apresentados como “universais”, pois estão presentes em quase todas as sociedades do mundo por serem considerados importantes para uma vida social harmoniosa. 

PARA REFLETIR

Professor, o que entende sobre valores morais? 

Qual a sua concepção? 

Qual/is a importância dos valores morais em nossa sociedade? 

Você tem trabalhado essa questão com as crianças? De que maneira?  

Você tem possibilitado que as crianças façam escolhas construtivas, se responsabilizando por elas? 

Sua turma consegue resolver situações problemas com ética? 

LEMBRE-SE

Os valores morais podem ser variáveis, ou seja, podem divergir entre sociedades ou grupos sociais diferentes. Isso porque os valores morais são baseados em diversos fatores, como cultura, tradição, cotidiano, religião e educação de determinado povo.

Realizando a brincadeira

Esta atividade poderá ser realizada com o intuito de trabalhar o raciocínio lógico-matemático, o senso reflexivo e crítico, de forma que as crianças possam tornar-se cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, além de ser uma oportunidade para comparar igualdades e diferenças. 

Materiais necessários: Durex;  Papel sulfite ou papel pardo; Lápis de cor e de escrever; Tesoura;

Borracha; Giz de cera.

Desenvolvimento: Faça uma roda de conversa e descubra o que as crianças sabem sobre peixes e aquários. Você poderá iniciar o diálogo a partir dos seguintes questionamento.

Quem já viu um aquário?

Como ele é?

Alguém tem aquário em casa?

Que peixes podem ser colocados em aquário?

Como devemos cuidar de um aquário?

Que alimentos podemos dar aos peixes de aquário?...

Cole um papel pardo ou sulfite (cole uma folha ao lado da outra) para simbolizar um aquário. Se preferir poderá contornar no formato de aquário redondo ou quadrado, por exemplo.

Cante com as crianças a música “Peixe Vivo”. Você poderá colocar a música e cantar com as crianças. Se achar conveniente, escreva a letra da música em um cartaz, faça a leitura da mesma, explore letras, palavras, frases... leia com as crianças e depois cante!

A partir disso, devem ser entregues às crianças alguns pedaços de papel (1/4 da folha sulfite) para cada participante. Oriente-as a desenhar um peixinho da forma que conseguirem nesse papelzinho.

Depois que terminarem, devem colar o peixe no “aquário”.

Após, faça uma reflexão conjunta sobre os peixinhos:

Eles não são todos iguais?

São do mesmo tamanho? Do mesmo jeito?

Tem a mesma cor?

Quantos peixinhos são da mesma cor?

Quantos são de cores diferentes?

Todos os peixinhos estão indo para o mesmo lado?...

Destaque para a turma que, assim como os peixinhos, somos todos diferentes e com características próprias. Além disso, cada um está indo para um lado, ou seja, cada um tem seu caminho, seus sonhos, seus desejos etc.  

O aquário é o mundo onde vivemos e os peixinhos são todos nós, com nossas diferenças.

 Atividade - A canoa virou

Campos de Experiência: 

O eu, o outro e o nós

Traços, sons, cores e formas

Corpo, gestos e movimentos

Escuta, fala, pensamento e imaginação

Convide as crianças para realizar uma brincadeira usando uma cantiga de roda. Faça um levantamento dos conhecimentos prévios das crianças sobre a realidade musical vivida por elas. Para a realização do diálogo, você poderá apresentar imagens que lembrem cantigas de roda. 

Apresente-as e explore-as por meio de questionamentos como os sugeridos a seguir:

Quem gosta de ouvir música?

Que músicas vocês gostam de ouvir?

Onde e com quem vocês escutam música?

Vocês têm algum brinquedo com música? Como ele é?

Quem conhece alguma brincadeira com música? Que brincadeira é essa?

Quem sabe o que é cantiga popular? Alguém pode me dar algum exemplo?

Ouça as crianças, faça outros questionários de acordo com o desenrolar do diálogo. Em seguida, pergunte se as crianças conhecem a cantiga popular “A canoa virou”. Caso alguém conheça, peça-lhe que cante a música. Após cantar, registre a letra da música na lousa ou fixe um cartaz na parede com a letra em caixa alta.

Se a turma conseguir fazer tentativa de leitura, solicite que façam uma leitura silenciosa, pois esse tipo de leitura possibilita a adaptação da criança às suas características individuais de ritmo, pontuação, compreensão e interpretação. Em seguida, faça uma leitura em voz alta junto com as crianças. Se preferir, peça-lhes que façam tentativas de leitura, cada uma lê uma estrofe, por exemplo. 

A canoa virou

A canoa virou

Pois deixaram ela virar

Foi por causa de Maria

Que não soube remar

 

Se eu fosse um peixinho

E soubesse nadar

Eu tirava Maria

Do fundo do mar

 

Siri pra cá,

Siri pra lá

Maria é bela

E quer casar.


Como brincar

Em roda, as crianças giram cantando somente a primeira parte da música, que vai até o verso ”Que não soube remar”. Um a um, os nomes vão sendo chamados e o escolhido se solta, vira de costas para o centro da roda e dá as mãos novamente para os vizinhos. A cantoria recomeça e o grupo vai elegendo um a um os colegas até que todos tenham sido chamados e estejam de costas. Ainda girando, eles começam a cantar a segunda parte da canção, chamando novamente os colegas, um a um. O escolhido se solta dos amigos e volta à posição original. A brincadeira termina quando todos estiverem novamente de frente para o centro da roda.

ATENÇÃO

Você poderá apresentar uma lista de cantigas de roda para as crianças e fazer uma votação, uma pesquisa de opinião para decidir qual cantiga será usada. Nesse caso, a definição deverá ser feita em dia anterior para que você possa providenciar possíveis materiais e local para realização da atividade. 

Após cada atividade, solicite que as crianças expressem de forma oral ou escrita sua opinião sobre ela. Como registro, as crianças poderão representar com desenhos o momento vivido ou produzir um texto coletivo.

Avaliação alternativa 

Se a criança não for capaz de responder verbalmente, ou se tiver dificuldades importantes na fala ou não verbais, você poderá utilizar a Comunicação Alternativa abaixo para avaliar a atividade. Solicite que elas apontem ou peguem a ficha, para representar se gostaram ou não.

Sugestões de cantigas de roda

A barata  -    https://www.vagalume.com.br/galinha-pintadinha/a-barata.html 

Eu vi uma barata na careca do vovô 

https://www.cifraclub.com.br/temas-infantis/eu-vi-uma-barata/letra/

Cachorrinho está latindo  - https://www.ouvirmusica.com.br/cantigas-populares/983985/

 A galinha do vizinho  - https://www.ouvirmusica.com.br/temas-infantis/1746902/